COMPARAÇÃO DE MÉTODOS DE DETECTABILIDADE DE ANIMAIS ATROPELADOS NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Atropelamento; Monitoramento a pé; Subestimação; Semiárido; Taxa de perda de dados.
A mortalidade causada por atropelamentos é uma das principais ameaças a fauna silvestre associadas às estradas. Apesar de ser preocupante, os dados sobre atropelamento ainda são subestimados, devido às limitações no monitoramento de animais atropelados nas estradas. Assim, o objetivo deste trabalho foi comparar dois métodos de detecção de animais mortos por atropelamento com o intuito de identificar a taxa de perda de dados que poderá ser adicionada ao quantitativo de carcaças encontradas no monitoramento por veículo. O trabalho foi realizado através do monitoramento de rodovias à procura de aves atropeladas, iniciado logo após o amanhecer, conduzido por, no mínimo, dois observadores utilizando dois métodos de detectabilidade: por veículo e a pé. Foram registradas 558 aves no monitoramento a pé, das quais 72 indivíduos também foram detectados no monitoramento por carro. No monitoramento a pé, 192 indivíduos eram anfíbios, 115 aves, 164 mamíferos, 84 répteis e três não puderam ser identificados devido ao estado de decomposição. Já no monitoramento por veículo, os registros corresponderam a sete anfíbios, 27 aves, 32 mamíferos e seis répteis. O método de monitoramento, a tipologia e o grupo taxonômico contribuíram significativamente para explicar a variação nas taxas de registro de animais atropelados, enquanto a estação do ano não apresentou efeito significativo. Com relação a perda de dados, os resultados evidenciam uma subestimação elevada associada ao monitoramento por veículo, principalmente para a herpetofauna, com perdas de 97% para anfíbios e 92% para répteis. Nossos resultados demonstram que essa prática metodológica resulta em uma subestimação sistemática dos atropelamentos, que varia entre grupos taxonômicos e entre estações do ano. Essas variações reforçam a importância de considerar a interação entre grupo taxonômico e sazonalidade na estimativa do número real de atropelamentos, principalmente para grupos com menor detectabilidade. Recomenda-se, portanto, a adoção de metodologias híbridas, com a inclusão de trechos amostrais a pé ou a aplicação de Fatores de Correção de Detecção (FCD), como os estimados neste estudo.