Banca de QUALIFICAÇÃO: RÍLARI CARLA MAIA OLIVEIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RÍLARI CARLA MAIA OLIVEIRA
DATA : 31/10/2025
HORA: 09:00
LOCAL: meet.google.com/dap-wwcu-kdr
TÍTULO:

FENOLOGIA REPRODUTIVA E VISITANTES FLORAIS DE HARPOCHILUS PARAIBANUS (ACANTHACEAE, LAMIALES) COMO SUPORTE À REDUÇÃO DO DÉFICIT ELTONIANO EM ESPÉCIES ENDÊMICAS DA CAATINGA


PALAVRAS-CHAVES:

Interações planta–animal, lacunas de conhecimento ecológico, sazonalidade, SDTFW.


PÁGINAS: 34
RESUMO:

O déficit Eltoniano pode revelar importantes lacunas de conhecimento sobre interações biológicas, especialmente aquelas associadas à polinização, um serviço ecossistêmico essencial para a reprodução das angiospermas. Entre os diferentes mecanismos reprodutivos, a alogamia (ou polinização cruzada) destaca-se por promover maior diversidade genética, frequentemente mediada por síndromes de polinização especializadas, como a quiropterofilia (realizada por morcegos). Nesse contexto, a família Acanthaceae Juss., notável por sua diversidade e variedade de síndromes florais, abriga o gênero Harpochilus Nees, endêmico da Caatinga. Embora a quiropterofilia já tenha sido formalmente documentada em duas espécies do gênero, a biologia reprodutiva de Harpochilus paraibanus F.K.S.Monteiro, J.I.M.Melo & E.M.P.Fernando, espécie recentemente descrita, ainda permanece desconhecida. Neste estudo, buscamos preencher essa lacuna, partindo das hipóteses de que (1) sua fenologia reprodutiva é sazonal e (2) seus atributos florais indicam uma síndrome de polinização do tipo quiropterofilia. Nosso estudo foi conduzido na Floresta Nacional de Açu, Rio Grande do Norte, área legalmente protegida situada no domínio fitogeográfico da Caatinga. Para investigar a fenologia reprodutiva de H. paraibanus, integramos dados históricos de espécimes de herbário, analisados por meio de estatística circular (teste de Rayleigh), com observações de campo realizadas mensalmente. Foram caracterizados os atributos florais, como o horário de antese, a disponibilidade de pólen e a produção de néctar, considerando volume e concentração de açúcares. O sistema reprodutivo foi avaliado por meio de um experimento de ensacamento de 50 sinflorescências pertencentes a 50 indivíduos distintos, com o objetivo de testar o potencial de autopolinização espontânea a partir do cálculo das taxas e da eficiência de frutificação. A guilda de visitantes florais foi caracterizada com base em observações diretas e no uso de armadilhas fotográficas e a atividade desses visitantes foi posteriormente correlacionada com variáveis abióticas, como temperatura e umidade relativa do ar. Os resultados indicam que H. paraibanus apresenta fenologia reprodutiva sazonal e sincronizada, com picos de floração e frutificação concentrados no primeiro semestre, entre abril e junho. A espécie apresentou autopolinização espontânea, com 44,4% dos indivíduos ensacados produzindo frutos na ausência de polinizadores, embora com baixa eficiência, já que apenas 7,6% das flores resultaram em frutos. A guilda de visitantes florais foi composta por quatro grupos principais: Quiroptera (Phyllostomidae), Lepidoptera (Sphingidae), Apodiformes (Trochilidae) e Hymenoptera (Apidae), sendo os quirópteros os visitantes mais frequentes, responsáveis por 83,3% dos eventos registrados. Não foi observada correlação significativa entre o número de visitas e as variáveis abióticas analisadas. Com base nas observações realizadas, não foi possível confirmar qual táxon atua como polinizador efetivo, o que representa uma etapa complementar de investigação em andamento. De modo preliminar, nossos resultados indicam que H. paraibanus apresenta uma estratégia reprodutiva mista, na qual a autopolinização funciona como um mecanismo de garantia reprodutiva diante da imprevisibilidade dos polinizadores na Caatinga, enquanto os morcegos parecem atuar como potenciais polinizadores cruzados, contribuindo para a manutenção do fluxo gênico. O padrão fenológico sazonal observado evidencia uma forte adaptação ao ambiente semiárido; contudo, essa especialização também torna a espécie potencialmente vulnerável a perturbações que afetem as populações de seus polinizadores. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias voltadas à conservação do hábitat e de polinizadores noturnos, os quais são fundamentais para a manutenção de toda a linhagem Harpochilus.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1269586 - JAMES LUCAS DA COSTA LIMA
Externo ao Programa - 1332660 - GEOVAN FIGUEIREDO DE SA FILHO - y UFERSAExterno à Instituição - EARL CELESTINO DE OLIVEIRA CHAGAS
Notícia cadastrada em: 22/10/2025 15:24
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