SAÚDE EM JANDAÍRA (MELIPONA SUBNITIDA DUCKE 1910): MANEJO COM PÓLEN APÍCOLA POTENCIALIZA OCORRÊNCIA DE DOENÇAS?
Melipona subnitida; Melissococcus plutonious; Manejo alimentar.
A meliponicultura é a criação de abelhas sem ferrão da tribo Meliponini. Para o desenvolvimento dessa atividade, normalmente é necessário a alimentação artificial das colônias, especialmente no período de entressafra. Na região norte da Caatinga, a principal espécie criada é Jandaíra (Melipona subnitida Ducke, 1910). É uma abelha boa produtora de mel, cera e poliniza espécies vegetais nativas e cultivadas. A alimentação artificial no semiárido é uma técnica largamente utilizada e necessária ao manejo produtivo nesse ambiente. Na época de seca as abelhas ficam com recursos limitados, e é necessário a intervenção do meliponicultor, que deve fornecer alimento energético (carboidratos) e proteico (pólen) para a manutenção das colônias. Corriqueiramente meliponicultores utilizam a técnica do “bombo de pólen”, entretanto a ocorrência de nosemose (Nosema spp), vírus da paralisia das asas (ABPV) e cria pútrida europeia (Melissococcus plutonius) em Meliponini, forçou a comunidade científica órgãos de sanidade há emitirem alertas dos riscos de transferência dessas doenças para as abelhas sem ferrão. Neste trabalho temos o objetivo de verificar a ocorrência de cria pútrida europeia em abelhas jandaíra no Estado de Rio Grande do Norte e verificar se está no pólen apícola o possível meio de transmissão de patógenos de Apis mellifera para Meliponini. Foram analisadas oito amostras de pólen apícola vendidas no mercado local quanto a sua identidade e presença de DNA bacteriano de M. plutonius utilizando PCR. Testamos a eficiência de pasteurização, cozimento e luz ultravioleta na esterilização do pólen apícola fornecido à espécie. Realizamos, ainda, análise bromatológica antes e após os procedimentos de esterilização para caracterização do teor de proteínas, lipídeos e carboidratos para saber se essas técnicas diminuem a qualidade do alimento fornecido. Nossos resultados indicaram que todas as amostras comercializadas no Rio Grande do Norte estavam contaminadas com M. plutonius. Até o momento, os resultados demonstram que as técnicas de esterilização não foram eficientes para eliminar o DNA bacteriano da cria pútrida europeia. A técnica de PCR utilizada não é capaz de certificar que a bactéria esteja ativa. Entretanto, bombons de pólen não tratados e tratados com luz ultravioleta e pasteurização contaminaram colônias em condições experimentais. Nossos resultados indicam que há transferência da doença entre A. mellifera e Meliponini, mas são necessários mais estudos para verificar se a técnica de cozimento dos grãos é realmente eficaz para eliminar o patógeno.