TELETRABALHO NA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO: ANÁLISE DOS IMPACTOS DO PROGRAMA DE GESTÃO E DESEMPENHO (PGD) NOS SERVIDORES TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS
teletrabalho; Programa de Gestão e Desempenho; Qualidade de Vida no Trabalho; desempenho profissional.
A expansão do teletrabalho no setor público brasileiro, em especial com a instituição do Programa de Gestão de Desempenho (PGD), como o implementado pela Ufersa, evidencia uma lacuna na literatura acerca de seus reais impactos na manutenção ou melhoria do desempenho e da produtividade, e sobre o bem-estar dos servidores no contexto do ensino superior federal. Com isso, este estudo objetiva analisar de que forma o Programa de Gestão e Desempenho (PGD) da Ufersa influencia a qualidade de vida e o desempenho operacional dos servidores em regime de teletrabalho. A pesquisa, de natureza qualitativa, descritiva e
transversal, utilizou o método de estudo de caso único e utilizou a análise de conteúdo de Bardin. Empregou-se a triangulação de métodos para coleta de dados, através de entrevistas semiestruturadas, análise documental de relatórios da Pró-Reitoria de Planejamento e observação participante. Ao todo foram entrevistados dezessete servidores, sendo oito gestores (pró-reitores, diretores e superintendentes) e nove servidores não gestores das unidades Pró-reitoria de Gestão de Pessoas, Pró-reitoria de Planejamento, Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação - SUTIC e Unidade de Auditória Interna. A
análise comparativa dos dados revela que os relatórios institucionais priorizam indicadores objetivos de desempenho, enquanto a observação participante captura os desgastes cotidianos não mensurados quantitativamente. As entrevistas aprofundam as percepções subjetivas, indicando que, embora o teletrabalho via PGD promova benefícios como flexibilidade, autonomia, maior satisfação e sensação de valorização, ele também introduz desafios significativos. Estes incluem a hiperconectividade, a dificuldade de concentração em
ambientes virtuais, o esmaecimento dos laços interpessoais e a dificuldade em delimitar fronteiras entre a vida pessoal e profissional, impactando tanto a qualidade de vida quanto a eficácia operacional. Assim, a pesquisa contribui ao oferecer uma compreensão das nuances e contextualização da implementação do PGD em teletrabalho, validando seus potenciais benefícios, mas também destacando obstáculos críticos como a sobrecarga digital e o isolamento social. Os resultados fornecem subsídios empíricos para que gestores públicos possam reformular e aprimorar programas de teletrabalho, desenvolvendo estratégias direcionadas que mitiguem os riscos identificados e potencializem tanto o bem-estar do servidor quanto a eficiência organizacional.