Efeitos do extrato pirolenhoso nas respostas morfofisiológicas da pitangueira sob déficit hídrico e salino
Eugenia uniflora L., vinagre de madeira, estresse hídrico, estresse salino.
O extrato pirolenhoso apresenta-se como uma alternativa promissora para mitigar os efeitos de estresses abióticos em pitangueiras, especialmente em regiões do Nordeste brasileiro, onde o déficit hídrico e a salinidade frequentemente comprometem a qualidade das mudas. Nesse contexto, foram desenvolvidos três estudos. Todos os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Mossoró, Rio Grande do Norte, tendo como foco a utilização do extrato pirolenhoso como agente atenuante dos efeitos de estresses abióticos em plantas. No Estudo 1, objetivou-se avaliar os efeitos do extrato pirolenhoso sobre as trocas gasosas, os pigmentos fotossintéticos, o crescimento e a biomassa de pitangueiras submetidas a diferentes regimes hídricos. O delineamento experimental adotado foi o de blocos casualizados, em esquema fatorial 3 × 2, com quatro repetições. Os fatores estudados consistiram em três regimes hídricos (irrigação diária, déficit hídrico por 7 dias e por 14 dias) e dois níveis de aplicação do extrato pirolenhoso (com e sem aplicação). Em síntese, a aplicação do extrato pirolenhoso em pitangueiras submetidas ao déficit hídrico por 7 dias promoveu maior crescimento das plantas, otimizou as trocas gasosas e elevou o teor de clorofila. Adicionalmente, o período de 7 dias favoreceu o crescimento e a fisiologia da espécie, com destaque para o incremento da biomassa total e da eficiência no uso da água. Os Estudos 2 e 3 avaliaram o efeito do extrato pirolenhoso em pitangueiras irrigadas com águas salinas. O Estudo 2 focou no crescimento, nos índices de clorofila, biomassa e na síntese de osmorreguladores, como a prolina e açúcares solúveis totais. Enquanto o Estudo 3 investigou a dinâmica nutricional das plantas, considerando os teores de Na⁺, K⁺, Ca²⁺ e Mg²⁺ nos tecidos foliares e radiculares, além dos efeitos da salinidade e do extrato pirolenhoso sobre as trocas gasosas e suas relações e, a biomassa. Em ambos os estudos, adotou-se o delineamento em blocos casualizados, em esquema fatorial 4 × 3, com quatro níveis de salinidade da água de irrigação (0,5; 2,5; 4,5 e 6,5 dS m⁻¹), obtidos pela adição de NaCl, e três concentrações do extrato pirolenhoso (0, 1 e 2%). Concluiu-se que a aplicação do extrato pirolenhoso na concentração de 2% foi benéfica para o aumento do número de folhas em mudas de pitangueira cultivadas sob baixa salinidade (1,41 dS m⁻¹). Além disso, salinidade da água de irrigação elevou o teor de prolina nas folhas da pitangueira em 48,65% (6,5 dS m⁻¹), mecanismo de ajustamento osmótico que, no entanto, desviou recursos energéticos do crescimento, reduzindo o número de folhas. No Estudo 3, os resultados indicaram que condutividades elétricas acima de 2,5 dS m⁻¹ reduziram todas as variáveis avaliadas, independentemente da concentração do extrato. Por outro lado, a irrigação com água salina de até 2,5 dS m⁻¹, associada à aplicação de 2% de extrato pirolenhoso, promoveu melhor desempenho fisiológico e nutricional, sendo recomendada para a produção de mudas de pitangueira em ambientes salinos.