RESPOSTAS MORFOFISIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DO GERGELIM SOB ESTRESSES ABIÓTICOS E APLICAÇÃO EXÓGENA DE COMPOSTOS REGULADORES
Sesamum indicum L.; fitorreguladores; trocas gasosas; estresse oxidativo; semiárido.
A produção agrícola no semiárido é condicionada pela disponibilidade e pela qualidade da água, fatores que regulam desde a hidratação celular até a conversão do carbono assimilado em biomassa vegetal. No gergelim (Sesamum indicum L.), cultura adaptada a ambientes quentes e secos, salinidade e déficit hídrico podem desorganizar processos estomáticos, fotoquímicos, osmóticos e oxidativos, comprometendo o desempenho produtivo final. Esta tese foi estruturada em uma revisão narrativa e integrativa da literatura publicada entre 1998 e 2026 e em dois ensaios experimentais destinados a compreender a modulação fisiológica e bioquímica do gergelim sob estresses abióticos. No experimento salino, foram avaliados três níveis de condutividade elétrica da água de irrigação (0,5; 2,5 e 4,5 dS m-1) e quatro manejos foliares, sem aplicação (SA), putrescina (PUT), metil jasmonato (MeJA) e melatonina (MEL). Nesse ensaio, foram analisados crescimento, trocas gasosas, fluorescência da clorofila a, pigmentos, conteúdo relativo de água, integridade de membranas, açúcares solúveis, prolina e compostos fenólicos. No experimento hídrico, apenas a MEL foi testada como atenuante sob irrigação diária (I1) e intervalos de quatro (I4) e sete dias (I7), com avaliações de crescimento, trocas gasosas, funcionamento fotoquímico e metabolismo antioxidante. A salinidade reduziu a assimilação líquida de CO2 e a condutância estomática em até 82,1% e 75,3%, mas os atenuantes apresentaram respostas específicas. PUT intensificou o acúmulo de prolina, MeJA estimulou açúcares solúveis e MEL preservou a estabilidade fotoquímica e pigmentar. Sob manejo hídrico, I4 sustentou melhor desempenho, enquanto I7 reduziu a assimilação de CO2 em 88,6%. A MEL atuou de forma dependente da condição hídrica, ajustando respostas fotoquímicas, gasosas e antioxidantes, sem aumento consistente do crescimento. Assim, a tolerância do gergelim resulta da integração entre controle estomático, proteção fotossintética, ajuste osmótico e contenção do dano oxidativo. Essas evidências sustentam o uso criterioso de atenuantes conforme o estresse e o manejo hídrico adotado.