MANEJO DA IRRIGAÇÃO COM ÁGUA SALOBRA E SEUS EFEITOS NO CRESCIMENTO, FISIOLOGIA E PRODUÇÃO DA PINHEIRA (ANNONA SQUAMOSA L.) NO SEMIÁRIDO
Lâminas de irrigação, frutos do conde, estresse salino, déficic hídrico
O aumento da demanda hídrica, intensificado pelas mudanças climáticas, tem agravado a escassez de água, sobretudo em regiões semiáridas, impactando diretamente a agricultura. Nesse cenário, a irrigação com água salina surge como alternativa, desde que manejada adequadamente, podendo manter a produtividade e a eficiência do uso da água. Contudo, a salinidade provoca estresse osmótico e toxidade iônica, comprometendo processos fisiológicos, bioquímicos e o crescimento das plantas. A Annona squamosa apresenta relevância socioeconômica no Nordeste brasileiro, mas possui baixa tolerância à salinidade. Assim, avaliar os efeitos de diferentes lâminas de irrigação com água salina é essencial para o manejo sustentável e a qualidade dos frutos. O experimento foi conduzido em pomar de pinheira (Annona squamosa L.) com dois anos de idade, localizado na zona rural de Upanema-RN, em clima semiárido quente (BSh), entre 2022 e 2024. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com quatro repetições, em esquema fatorial 3 × 3 + 1, combinando três níveis de salinidade da água de irrigação (1,5; 3,0 e 4,5 dS m⁻¹) e três lâminas de irrigação (33, 66 e 100% da ETc), além de uma testemunha sem irrigação; em 2024, as lâminas foram ajustadas para 37, 70 e 100% da ETc. O aumento das lâminas de irrigação promoveu maior crescimento da Annona squamosa, com destaque para altura, área foliar e diâmetro do caule, sendo 100% da ETc a mais eficiente. A salinidade moderada da água não prejudicou o crescimento e permitiu produtividade elevada, atingindo 11.218,85 kg ha⁻¹ com 100% da ETc e 4,5 dS m⁻¹. Altos níveis salinos aumentaram Na⁺ e Cl⁻ e reduziram K⁺, N e clorofilas, enquanto lâminas intermediárias (≈66% da ETc) com água até 3,0 dS m⁻¹ mantiveram variáveis fisiológicas e bioquímicas sem prejuízo. Assim, o uso de águas salobras é viável no semiárido, desde que associadas a lâminas adequadas e manejo criterioso do solo.