ARTIGO 1: BIOTECNOLOGIAS E FITORREMEDIAÇÃO DA POLUIÇÃO HÍDRICA COM PLANTAS AQUÁTICAS: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA GLOBAL
ARTIGO 2: MECANISMOS FISIOLÓGICOS ENVOLVIDOS NA ABSORÇÃO, BIOACÚMULO E DESTINO AMBIENTAL DO DIURON EM MACRÓFITAS AQUÁTICAS
Plantas aquáticas, fitorremediação, polução de água, biotecnologia ambiental
RESUMO Artigo 1: As plantas aquáticas têm sido estudadas como alternativas sustentáveis para o tratamento de efluentes e a remediação da poluição hídrica, especialmente pela sua eficiência na remoção de nutrientes, metais pesados e compostos orgânicos. Entre 2015 e 2025, observou-se um aumento expressivo na produção científica sobre fitorremediação com macrófitas aquáticas, refletindo o crescente interesse por soluções baseadas na natureza. Neste trabalho, realizamos uma análise bibliométrica da literatura indexada na Web of Science, utilizando as ferramentas Bibliometrix e VOSviewer para examinar a evolução anual de publicações, os países e instituições mais produtivos e os principais clusters de palavras-chave. Foram analisados 500 artigos relacionados ao tema. O número de publicações cresceu de 14 em 2015 para 82 em 2024, evidenciando a expansão contínua desse campo. China, Índia e Brasil se destacaram como os principais produtores, com instituições influentes como a Chinese Academy of Sciences e universidades brasileiras entre os principais centros de pesquisa. A análise das redes e clusters revelou temas predominantes como wetlands flutuantes, remoção de metais pesados, controle de nutrientes e modelagem aplicada. Os gêneros mais estudados incluem Eichhornia, Lemna, Pistia, Typha e Phragmites. As principais lacunas identificadas envolvem a falta de padronização no monitoramento, desafios no manejo da biomassa e a necessidade de validações de campo de longo prazo. Esse panorama contribui para compreender como o tema evoluiu globalmente e aponta direções importantes para pesquisas futuras.
RESUMO Artigo 2: A avaliação do destino ambiental de herbicidas em sistemas aquáticos tem se centrado nas concentrações observadas na água, embora grande parte da massa aplicada seja redistribuída para compartimentos sólidos e biologicamente ativos do meio. Neste estudo, foi avaliado o destino do diuron em microcosmos aquáticos por meio de uma abordagem integrada de balanço de massa, considerando sua distribuição entre água, sedimento e biomassa vegetal, a formação de metabólitos e as respostas fisiológicas de macrófitas aquáticas. Os experimentos foram conduzidos por 45 dias em sistemas sem plantas (controle) e em sistemas vegetados com Pistia stratiotes e Eichhornia crassipes, expostos a concentrações de 2,5; 10 e 25 µg L⁻¹ de diuron. O balanço de massa evidenciou rápida transferência do diuron da água para o sedimento em todos os sistemas, confirmando a elevada afinidade do herbicida por compartimentos sólidos. No controle, a maior parte da massa do diuron permaneceu retida no sedimento ao longo do experimento. Em contraste, a presença das macrófitas alterou essa dinâmica, reduzindo a retenção no sedimento e promovendo redistribuição do herbicida para a biomassa vegetal. A formação do metabólito DCPMU foi detectada no sedimento e no tecido vegetal, indicando que o diuron sorvido permanece sujeito a transformações ao longo do tempo. As espécies apresentaram respostas fisiológicas contrastantes: Pistia stratiotes mostrou maior sensibilidade à exposição prolongada ao diuron, reduções nos pigmentos fotossintéticos e intensificação do estresse oxidativo em concentrações elevadas; Eichhornia crassipes apresentou maior plasticidade fisiológica, mantendo a homeostase redox, embora com redução da biomassa em doses mais altas. Em conjunto, os resultados demonstram que a fitorremediação do diuron envolve redistribuição e transformação do herbicida, reforçando a importância de abordagens baseadas em balanço de massa para uma avaliação mais consistente do destino ambiental e do risco associado a herbicidas persistentes em sistemas aquáticos.