APLICAÇÃO DE BIOESTIMULANTE FOLIAR BIOTRAC A BASE DE ALGAS NA PRODUÇÃO DE MELÃO
Melão. Semiárido. Bioatividade. Algas. Nutrição.
Resumo 1:
O meloeiro (Cucumis melo L.) caracteriza-se por ser uma espécie de rápido crescimento vegetativo e alta demanda nutricional. No semiárido, as condições favorecem altas taxas fotossintéticas, mas desafios como a disponibilidade de micronutrientes (Boro e Zinco) podem limitar a produtividade. O Boro é vital para o transporte de açúcares e o Zinco atua na síntese de auxinas. O uso de bioestimulantes à base de extratos da alga marinha Ascophyllum nodosum surge como uma tecnologia promissora para a intensificação nutricional, atuando na regulação da relação fonte-dreno e estimulando a translocação de fotoassimilados. O produto Biotrac combina extrato de alga com Nitrogênio, Boro e Zinco. O presente estudo objetivou em avaliar a influência da aplicação de bioestimulante foliar à base de algas na fisiologia, crescimento e balanço nutricional na produção de melão. O experimento foi realizado na Fazenda Dinamarca, Mossoró-RN. Foram avaliadas trocas gasosas (temperatura da folha, taxa de assimilação de CO2, condutância estomática, transpiração, eficiência instantânea da carboxilação), composição mineral do tecido vegetal e componentes de produção. A aplicação do bioestimulante interferiu na capacidade do meloeiro em alocar biomassa aos frutos. A análise de regressão e o teste de médias evidenciaram que a dose de 1,5 L ha-1 promoveu os maiores resultados produtivos, alcançando 37,14 t ha-1 e frutos com peso médio de 1.238 g. Em relação à qualidade, a dose de 1,5 L ha-1 proporcionou o maior teor de sólidos solúveis (11,1 ºBrix) e firmeza (2,05 N). A dose de 2,0 L ha-1 resultou em frutos com menor qualidade (maior acidez e menor Brix), o que pode indicar um efeito de estresse induzido por concentração além da desejada. As análises fisiológicas de trocas gasosas demonstraram comportamento significativo em função das dosagens. Os resultados obtidos evidenciam que o uso do bioestimulante, na dose otimizada de 1,5 L ha-1, promoveu incrementos reais na produção e qualidade, sendo a recomendação mais adequada para as condições estudadas.
Resumo 2:
A intensificação do sistema produtivo em ambiente semiárido expõe as lavouras a pressões fisiológicas severas, resultando na produção excessiva de Espécies Reativas de Oxigênio (EROs), com destaque para o Peróxido de Hidrogênio (H2O2). A capacidade da planta em tolerar essas condições depende da eficiência de seu sistema de defesa antioxidante, mediado por enzimas como Superóxido Dismutase (SOD) e Catalase (CAT). A aplicação de extratos à base de Ascophyllum nodosum tem ganhado destaque como uma estratégia de "ativação metabólica", onde compostos bioativos atuam como elicitores. O presente trabalho objetivou-se em avaliar a influência da aplicação do bioestimulante na bioquímica e atividade antioxidante de melão. Foram determinados os teores de H2O2, Proteínas Solúveis Totais e a atividade das enzimas SOD, CAT e APX em folhas de meloeiro. A análise de variância revelou efeito significativo das doses sobre o conteúdo de proteínas solúveis totais; a dose de 1,5 L ha-1 promoveu o maior acúmulo de proteínas, diferindo estatisticamente dos demais tratamentos. Para o H2O2, observou-se uma redução progressiva com o aumento das doses, atingindo os menores valores nas doses de 1,0 e 1,5 L ha-1, demonstrando a eficiência do produto em mitigar o estresse oxidativo. As atividades das enzimas SOD e CAT ajustaram-se ao modelo de regressão quadrática, indicando regulação da atividade enzimática em função das doses aplicadas. Com isto, a compreensão das interações entre a suplementação exógena e a regulação das atividades enzimáticas permitiu elucidar mecanismos que sustentam a produtividade. A dose de 1,5 L ha-1 mostrou-se a mais eficiente na manutenção da integridade proteica e na redução dos níveis de estresse oxidativo.