ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO ENSINO SUPERIOR: CARACTERIZAÇÃO E EXPERIÊNCIAS ACADÊMICAS
Transtorno do Espectro Autista; Estudante universitário; Ensino Superior; Caracterização sociodemográfica; Experiências acadêmicas.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento complexa, marcada por sintomas que se iniciam na primeira infância e podem perdurar por toda a vida, trazendo prejuízos em diversas áreas e com manifestação sintomatológica variando em diferentes níveis de gravidade. Na fase adulta, as pessoas com TEA enfrentam dificuldades para acessar o ensino superior e, quando conseguem ingressar, enfrentam múltiplos desafios na trajetória acadêmica. Embora o TEA seja objeto de investigação científica crescente, observa-se que a produção de conhecimento sobre o perfil dos universitários autistas e suas experiências no contexto universitário ainda é pouco explorada. Nesse direcionamento, a partir de dois artigos empíricos que constituem a presente pesquisa, realizada na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), campus Mossoró, tem-se como finalidade caracterizar o perfil sociodemográfico de universitários com diagnóstico autorreferido de TEA e analisar como responderam à escala Quociente do Espectro do Autismo - Adulto (QA), bem como, compreender as experiências acadêmicas desses estudantes. Foi executado um estudo exploratório-descritivo com abordagem quantitativa e qualitativa. O estudo 1 foi realizado com 369 universitários, por meio da escala QA-adulto e de um questionário sociodemográfico, analisados através de estatística descritiva e inferencial. Observou-se que os universitários autodeclarados com autismo, quando comparados àqueles sem TEA, apresentaram mais expressão de identidades de gênero diversas e de outros transtornos neurológicos/psiquiátricos, além de maiores pontuações médias na escala QA-adulto. Já o segundo estudo, realizado com 5 universitários autistas, através de entrevistas examinadas na perspectiva da Análise de Conteúdo de Bardin, apontou como principais achados uma trajetória acadêmica marcada por dificuldades no processo de adaptação ao contexto da educação superior, sentimentos de inadequação, necessidade de atender às expectativas sociais e percepção da universidade enquanto um espaço produtor de desenvolvimento pessoal e profissional. Em linhas gerais, os resultados desta pesquisa possibilitam ampliar o conhecimento sobre quem são os universitários autistas e como vivenciam a experiência de estar na universidade.