Banca de DEFESA: FABRÍCIA PINTO DE OLIVEIRA AUGUSTO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : FABRÍCIA PINTO DE OLIVEIRA AUGUSTO
DATA : 17/08/2026
HORA: 09:30
LOCAL: Auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas e Humanas
TÍTULO:

AVALIAR COM: avaliação qualitativa da Política Territorial de Alfabetização de Crianças (PróAlfa) no estado do Rio Grande do Norte

 


PALAVRAS-CHAVES:

Políticas Públicas. Avaliação. Alfabetização. Metodologia Participativa. Interdisciplinaridade.


PÁGINAS: 166
RESUMO:

Esta pesquisa buscou compreender como avaliar de forma participativa e propor melhorias à execução da política territorial de alfabetização de crianças do estado do Rio Grande do Norte/RN. A pergunta construída emergiu em meio à reflexão sobre a própria experiência da pesquisadora como professora, na qual trazia inquietações sobre a Política Territorial de Alfabetização de Crianças (PróAlfa) do Estado do Rio Grande do Norte, na medida em que estava participando de ações integrantes desta política estadual e que se articula com o “Compromisso Nacional Criança Alfabetizada”, título da política e compromisso firmado pelo governo federal e, posteriormente, assumido pelos governos estaduais e municipais no Brasil. A presente pesquisa se dedicou à construir uma metodologia participativa de Avaliação da Política Territorial de Alfabetização de Crianças (PróAlfa) no Estado do Rio Grande do Norte/RN. Essa metodologia teve um caráter diagnóstico e propositivo, foi implementada no município de Mossoró/RN e foi construída com a colaboração de professoras alfabetizadoras e equipe de gestoras (diretora, vice-diretora, coordenadora e suporte pedagógico) que trabalham em quatro escolas públicas. A metodologia de avaliação que construímos com as participantes focaliza três eixos principais: a) a formação docente; b) a infraestrutura física, técnica, pedagógica e administrativa; e c) os sistemas de avaliação. Os autores principais da pesquisa foram: Rosa, Lima e Aguiar (2021) trazendo conceitos sobre as políticas públicas; Rua e Romanini (2013) que aborda o ciclo de políticas públicas e o conceito de avaliação; Jannuzzi (2020) que ajudou a entender a avaliação sistêmica; Spink (2001) que adota uma perspectiva da avaliação democrática; Ramos e Schabbach (2012) que são para mim referência importante na proposição de uma avaliação participativa; Ferreiro e Teberosky (1999), por serem autoras destacadas com a obra dedicada à psicogênese da língua escrita, na busca de mais compreensão sobre a alfabetização no eixo da formação de professores; Gregory Bateson (2025), Humberto Maturana (2001) e Gilbert Simondon (2008), cientistas que possibilitam maior compreensão sobre as relações nos processos de conhecer, ajudando a construir um caminho de pesquisa na dimensão epistemológica; Kastrup (2009) que refere-se ao método da cartografia operando com uma política cognitiva no sentido de uma construção coletiva e construtiva do próprio conhecimento. A metodologia adotada é qualitativa, integrando algumas pistas do método da cartografia que favoreceram caminhos de realização da pesquisa: o funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo; cartografar é acompanhar processos e cartografar é habitar um território existencial. Pesquisar é fazer com, ou melhor, em nossa pesquisa, é avaliar com. Dessa forma, buscou-se o mergulho na experiência, por meio de encontros com os coletivos e suas experiências/percepções, ao compreender que a inventividade se apresenta enquanto alicerce dos movimentos capazes de produzir conhecimento. Como procedimentos de pesquisa, foram utilizadas: a experiência de encontros com professoras e equipe de gestoras; redes de conversações com os coletivos; a construção de um instrumento - vinhetas - para serem utilizadas como modo de maior aproximação com os acontecimentos mais recorrentes vividos por professoras durante a implementação do PróAlfa, para avaliar a política de alfabetização; perguntas disparadoras; entrevistas com perguntas abertas; artefatos tecnológicos que permitiram a produção de fotografias, captura de som por meio de gravação, sendo após transcritas as autonarrativas gravadas das participantes e a escrita e composição do diário de bordo da pesquisadora. A construção da análise foi realizada partindo dos marcadores de pesquisa que emergiram ao longo do trabalho, como as recorrências, os elementos que se destacam e ganham importância para as participantes, assim como as diferenças que também surgem e pudemos identificar ao acompanhar o processo de construção de uma avaliação que se faz com as participantes. Como resultado da pesquisa, foi construída uma metodologia de avaliação participativa, em que diferentes profissionais da educação - professoras com experiência na alfabetização de crianças e equipes de gestoras (diretora, vice-diretora, coordenadora e supervisora), participam dessa composição de conhecimentos, de acordo com suas experiências e fazeres pedagógicos, promovendo participação ativa e subjetiva de diferentes atores, contribuindo com melhorias na política de alfabetização de crianças do nosso estado. Podemos destacar como resultados desta pesquisa, as novas compreensões trazidas por meio desta pesquisa. Inicialmente vivenciei o período em que nos dedicamos ao estudo sobre as políticas públicas em geral e sobre as políticas públicas de alfabetização, ao mesmo tempo em que, juntamente com as colegas professoras e as gestoras das escolas, éramos convocadas e participamos das ações de formação, e também dos processos envolvidos nos eixos infraestrutura e sistemas de avaliação integrantes da atual política de alfabetização do estado do RN e do país. A análise de leis e normativas, tratados nacionais e internacionais, além dos estudos das pesquisas já desenvolvidas em nosso país possibilitou sistematizar neste trabalho e compor uma escrita que traz a ampliação de nossa compreensão sobre avanços e fragilidades encontradas nas políticas de alfabetização vigentes, a Política Territorial de Alfabetização de crianças do RN, o PróAlfa e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada CNCA, ao qual a política estadual está integrada. Ainda no primeiro momento de nosso trabalho, pudemos compor maior compreensão sobre os processos vividos nos últimos anos em nosso país e que interagem com diferentes políticas adotadas para o enfrentamento do analfabetismo, construções científicas nas quais os autores esclarecem quais avanços e fragilidades ocorriam em diferentes momentos da experiência da alfabetização no país, considerando os cenários políticos vividos. E, como resultados da pesquisa, pudemos construir e compreender que a avaliação participativa, sistêmica e democrática do PróAlfa, ao mobilizar alfabetizadoras e gestoras, possibilitou o exercício e vivências de processos cognitivos inventivos, considerando a construção criativa de vinhetas que trazem cenas e narrativas, recursos e práticas recorrentes na implementação do PróAlfa em seus três eixos principais: formação de professores, infraestrutura e sistemas de avaliação; construção de questões para serem feitas nas entrevistas com gestoras, momentos da pesquisa nos quais pudemos aprender a fazer movimentar a nossa atenção para cartografar processos e acompanhar as emergências, o que efetivamente compreendem e propõem as gestoras como caminhos para uma avaliação que busque melhorias e ajustes em uma política pública de alfabetização. Os encontros, as construções das vinhetas, a leitura das mesmas e a reflexão com alfabetizadoras produziu deslocamentos e transformações possíveis relacionados à identificação de avanços e melhorias e de ajustes a serem feitos, como por exemplo, na organização de calendários da formação, na presença de formadores qualificados nos processos formativos que se referem à prática da alfabetização de crianças, no cumprimento dos recursos e dispositivos de adaptação que são requeridos para a aplicação de avaliações em larga escala que envolvem crianças com deficiência, entre outras proposições. Compreendemos que avaliar com, quando tratamos de processos de avaliação de uma política estadual de alfabetização como o PróAlfa, configura metodologia potente de uma avaliação intermediária, ao envolver as professoras que estão efetivamente no trabalho direto com as crianças e as gestoras que estão na escola a criar as melhores condições para que a experiência da aprendizagem da leitura e da escrita ocorra para todos/as. A pesquisa cartografou a experiência do PróAlfa contando com a construção de uma avaliação participativa com professoras e gestoras de escolas de Mossoró RN, buscando, assim, contribuir com as construções científicas em nosso país dirigidas à avaliação de políticas públicas que resultem na promoção da efetiva alfabetização de todas as crianças.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1670040 - KARLA ROSANE DO AMARAL DEMOLY
Interna - 3331865 - MARIA DE FATIMA DE LIMA DAS CHAGAS
Externo à Instituição - ALCIDES FERNANDO GUSSI - UFC
Externa à Instituição - LETÍCIA MARIA SCHABBACH - UFRGS
Notícia cadastrada em: 01/07/2026 08:10
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