AGRICULTURA TRADICIONAL NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DO SÍTIO PÊGA, PORTALEGRE-RN.
Agricultura tradicional; Territorialidade; Saberes ancestrais; Semiárido potiguar; Políticas Públicas.
Esta dissertação investiga as práticas agrícolas tradicionais desenvolvidas pela Comunidade Quilombola do Sítio Pêga, localizada no município de Portalegre, no estado do Rio Grande do Norte, com o objetivo de documentar e analisar as práticas de agricultura tradicional na comunidade quilombola do Sítio Pêga, em Portalegre/RN, destacando como essas práticas se integram às tradições culturais e à identidade coletiva dos povos locais. Partindo de uma abordagem interdisciplinar e qualitativa, fundamentada nos aportes teóricos da sociologia rural, da antropologia social e da epistemologia dos saberes tradicionais, a pesquisa ancora-se em autores como Fiabani, Wanderley, Arruti, Schneider, Morais, Pereira, Polanyi e Ploeg, além de se inspirar nas contribuições da filosofia do Bem Viver e da ética do cuidado. Metodologicamente, o estudo assume a História oral temática como ferramenta de coleta de dados, complementada por observações de campo e registros fotográficos. A análise de conteúdo, orientada por Laurence Bardin, permitiu a sistematização das falas dos interlocutores por meio de codificação aberta e categorização temática. Os resultados indicam que a agricultura tradicional quilombola no Sítio Pêga transcende a dimensão técnica da produção, configurando-se como expressão cultural e ecológica de um modo de vida enraizado na coletividade, na memória e no cuidado com o território. Identificou-se a presença de um sistema agrícola baseado na policultura, na troca de saberes intergeracionais, no uso sustentável dos recursos naturais e na valorização do trabalho coletivo. Além disso, a pesquisa descreve a existência de redes de solidariedade entre os moradores, evidenciando que o cultivo da terra está relacionado à manutenção dos vínculos comunitários e à construção da autonomia sociopolítica. A agricultura, neste contexto, é mais que prática produtiva: é linguagem, memória e território vivo. Ao visibilizar essas experiências, a dissertação contribui para o reposicionamento epistêmico dos saberes tradicionais e reafirma a urgência de políticas integradas, sensíveis à diversidade e comprometidas com a justiça socioambiental e sociocultural. A pesquisa conclui que a agricultura tradicional praticada no Sítio Pêga transcende a dimensão econômica, atuando como elemento da identidade quilombola e como estratégia política de resistência. Ao documentar essas práticas e suas conexões com o território, a dissertação contribui para expandir o campo epistemológico das Ciências Sociais, reforçando a importância de reconhecer os povos tradicionais como sujeitos de conhecimento e de direitos. Trata-se de uma contribuição crítica ao debate sobre desenvolvimento rural, que demanda a valorização da diversidade cultural e produtiva presente no campo brasileiro. A dissertação também reforça, assim, a necessidade de políticas públicas territorializadas, interculturais e sustentadas por um olhar ético e plural sobre os saberes e fazeres dos povos tradicionais.