EFEITOS DO ÁCIDO SALICÍLICO EM ESPÉCIES FLORESTAIS SOB CONDIÇÕES DE ESTRESSE SALINO
Ecofisiologia florestal. Estresse abiótico. Espécies lenhosas. Eficiência no uso da água. Plasticidade ao estresse salino. Regulação metabólica.
A salinidade constitui um dos principais estresses abióticos que limitam o crescimento e o desempenho fisiológico das plantas, especialmente em regiões semiáridas sujeitas à escassez hídrica e ao acúmulo de sais no solo. Nesse contexto, o ácido salicílico (AS) tem sido amplamente investigado como regulador vegetal capaz de atenuar os efeitos do estresse salino por meio da modulação de respostas fisiológicas, bioquímicas e metabólicas. Entretanto, os mecanismos associados à ação do AS ainda permanecem pouco compreendidos em espécies florestais com diferentes estratégias adaptativas, especialmente quando comparadas espécies amplamente utilizadas em sistemas produtivos comerciais e espécies nativas naturalmente tolerantes às condições ambientais do semiárido. Dessa forma, este estudo teve como objetivo investigar o papel do ácido salicílico na modulação da resposta ao estresse salino em espécies lenhosas com diferentes níveis de adaptação ao ambiente semiárido, utilizando como modelos Eucalyptus camaldulensis Dehnh. e Mimosa caesalpiniifolia Benth. Os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação, utilizando diferentes concentrações de AS (0; 0,5 e 1,0 mM) combinadas a níveis de salinidade induzidos por NaCl (0; 40 e 80 mM). No Artigo I, utilizando Eucalyptus camaldulensis, espécie amplamente empregada em sistemas produtivos florestais no Brasil, investigou-se se o ácido salicílico seria capaz de mitigar os efeitos fisiológicos e metabólicos do estresse salino em uma espécie florestal de interesse comercial. Foram avaliados crescimento, relações hídricas, trocas gasosas, metabolismo osmótico e equilíbrio iônico. A salinidade reduziu o crescimento, o conteúdo hídrico e a assimilação de carbono, enquanto a aplicação de 1,0 mM de AS promoveu maior manutenção das relações hídricas, da condutância estomática e da atividade fotossintética sob elevada salinidade. Os efeitos do regulador estiveram associados principalmente à manutenção do metabolismo fotossintético e ao ajuste osmótico, com contribuição limitada na homeostase iônica. No Artigo II, desenvolvido com Mimosa caesalpiniifolia, espécie nativa do semiárido naturalmente associada à tolerância a estresses abióticos, investigou-se se o ácido salicílico atuaria apenas mitigando danos provocados pela salinidade ou se também potencializaria mecanismos adaptativos já intrínsecos à espécie. Foram avaliadas respostas relacionadas ao crescimento, metabolismo osmótico, trocas gasosas e eficiência fisiológica. A salinidade comprometeu o crescimento, a biomassa e a eficiência fisiológica das plantas, enquanto a aplicação de AS atenuou parcialmente esses efeitos, favorecendo a manutenção da assimilação de carbono, da eficiência no uso da água e do desempenho fotossintético. Para sabiá, a concentração de 0,5 mM apresentou as respostas fisiológicas mais consistentes sob estresse salino, sugerindo que o AS atuou amplificando mecanismos adaptativos preexistentes relacionados à resiliência funcional da espécie. De modo geral, os resultados demonstram que o ácido salicílico atua como modulador de mecanismos fisiológicos e metabólicos associados à tolerância ao estresse salino tanto em espécies domesticadas voltadas a sistemas produtivos comerciais quanto em espécies lenhosas naturalmente adaptadas às condições semiáridas. A manutenção das relações hídricas, da assimilação de carbono e do ajuste osmótico destacou-se como processo central para o desempenho vegetal sob salinidade. Os achados ampliam a compreensão sobre plasticidade adaptativa em espécies florestais e reforçam o potencial do uso de reguladores fisiológicos como estratégia promissora para o manejo de plantas em cenários de crescente salinização e mudanças climáticas.