TOLERÂNCIA DE CULTIVARES DE RÚCULA À SALINIDADE E EFICIÊNCIA DA MELATONINA COMO ATENUADOR DO ESTRESSE SALINO EM CULTIVO HIDROPÔNICO
Estresse abiótico. Bioestimulante vegetal. Semiárido. Cultivo sem solo. Morfofisiologia
A salinidade é um dos principais fatores limitantes da produtividade agrícola, especialmente em regiões semiáridas, onde a baixa qualidade da água utilizada na irrigação compromete o crescimento e o metabolismo das plantas. Diante desse cenário, esta tese teve como objetivo avaliar a tolerância de cultivares de rúcula (Eruca sativa Miller) ao estresse salino e a eficiência da melatonina como agente mitigador em cultivo hidropônico. O trabalho foi desenvolvido em dois experimentos complementares, conduzidos em casa de vegetação sob condições controladas. No primeiro experimento, avaliou-se o comportamento de dez cultivares comerciais de rúcula (Folha larga, Cultivada, Gigante folha larga, Antonella, Rokita, Donatella, Veloster, Astro, Sasha e Michaella) submetidas a dois níveis de salinidade (2,0 e 6,5 dS m⁻¹). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com cinco repetições. Foram analisadas variáveis de crescimento, fisiológicas e nutricionais para determinar o grau de tolerância de cada genótipo. As cultivares apresentaram respostas diferenciadas ao estresse, destacando-se Astro como a mais tolerante e Cultivada como moderadamente tolerante, com menor redução no crescimento e melhor eficiência fisiológica sob salinidade. Com base nesses resultados, foi conduzido o segundo experimento, no qual as cultivares Astro (tolerante) e Donatella (sensível) foram selecionadas para avaliar a eficiência da aplicação exógena de melatonina (0, 25, 50, 75 e 100 µmol L⁻¹) sob os mesmos níveis de salinidade. A aplicação de melatonina reduziu os efeitos negativos do estresse, promovendo maior acúmulo de biomassa, incremento na área foliar, estabilidade do pH e aumento dos teores de vitamina C. Doses intermediárias (50–75 µmol L⁻¹) proporcionaram melhor desempenho fisiológico e bioquímico, favorecendo o equilíbrio osmótico e a integridade das membranas celulares. De modo geral, os resultados evidenciam ampla variabilidade genética entre as cultivares de rúcula quanto à tolerância à salinidade e confirmam o potencial da melatonina como bioestimulante no manejo de estresses abióticos. Conclui-se que o uso de doses moderadas de melatonina constitui uma estratégia promissora e de baixo custo para mitigar os efeitos da salinidade, contribuindo para a sustentabilidade da produção hidropônica de hortaliças em regiões semiáridas.