POTENCIAL DO USO DA ÁGUA PRODUZIDA DO PETRÓLEO PARA O CULTIVO DE ESPÉCIES DE OCORRÊNCIA NA CAATINGA.
Reúso; Água produzida; Espécies florestais; Semiárido; Economia circular.
Em regiões semiáridas, a escassez hídrica contrasta com a geração de grandes volumes de Água Produzida (AP), efluente da exploração petrolífera. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial da AP no desenvolvimento de espécies florestais da caatinga e os efeitos na qualidade do solo. O estudo foi conduzido em casa de vegetação utilizando delineamento de blocos casualizados, com nove espécies nativas da Caatinga (Hymenaea courbaril , Tabebuia aurea , Mimosa tenuiflora , Ceiba glaziovii, Erythrina velutina, Caesalpinia ferrea, Aspidosperma pyrifolium, Myracrodruon urundeuva e Mimosa caesalpiniifolia) irrigadas com cinco proporções de AP (0%, 25%, 50%, 75% e 100%). Foram realizados dois experimentos distintos: o primeiro utilizou AP tratada de boa qualidade em solo argiloso, enquanto o segundo empregou AP salobra de alto risco em solo arenoso. No primeiro experimento, a AP tratada (100%) apresentou qualidade satisfatória para irrigação, com condutividade elétrica de 0,52 dS m-1 e teor de sódio (1,82 mg L-1) inferior ao da água controle. Todos os parâmetros analisados, incluindo elementos traço e compostos BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos), mantiveram-se abaixo dos limites normativos. As plantas foram classificadas em três grupos: beneficiadas, resistentes e resistentes com mecanismos de defesa. A aplicação de AP mostrou-se eficaz na redução do sódio trocável e do PST na camada superficial (0-20 cm) em até 44%, mitigando significativamente os riscos de sodificação. No segundo experimento, a AP caracterizou-se como salobra de alto risco, com condutividade elétrica de 4,76 ds m-1 e elevado teor de sódio (34,76 mmolc L-1), excedendo os limites da FAO para irrigação. Mimosa tenuiflora , Caesalpinia ferrea e Myracrodruon urundeuva emergiram como as mais tolerantes, mantendo o desenvolvimento mesmo sob irrigação com 100% de AP, enquanto Ceiba glaziovii apresentou mortalidade total a partir de 50% de AP. A aplicação de AP induziu aumento dependente da concentração na condutividade elétrica e no percentual de sódio trocável do solo arenoso, atingindo níveis críticos que demandam monitoramento específico. Conclui-se que o reuso da Água Produzida constitui uma estratégia viável e sustentável para a produção de mudas florestais no semiárido, promovendo a economia circular ao transformar um efluente industrial em recurso agrícola. A viabilidade da técnica é condicionada à qualidade do efluente, à seleção de espécies tolerantes e ao monitoramento dos atributos do solo, conforme demonstrado pelos diferentes comportamentos observados nos dois cenários estudados.