FREQUÊNCIA DE IRRIGAÇÃO E ESTRESSE SALINO NA COUVE FOLHA (Brassica oleracea L.) CULTIVADA EM SISTEMA SEMI-HIDROPÔNICO
Brassica oleracea L.. Semi-hidropônico. Salinidade
Nos últimos anos, o uso de águas residuárias na agricultura tem ganhado destaque, especialmente em regiões com escassez hídrica. Diversos estudos indicam que o reaproveitamento dessas águas pode potencializar o uso sustentável dos recursos hídricos e nutricionais das culturas. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da frequência de irrigação e do estresse salino na produção de couve folha (Brassica oleracea L.) cultivada em sistema semi-hidropônico. O experimento foi conduzido em estufa, com a aplicação de quatro frequências de irrigação (F4 = 8x, F3 = 6x, F2 = 4x e F1 = 2x) e dois níveis de salinidade da solução nutritiva (2,7 e 6,2 dS m-1). Foram realizadas cinco colheitas de folhas e avaliadas quanto as seguintes variáveis de rendimento: Número de folhas, cumprimento do limbo foliar, largura do limbo foliar, área foliar e produção de folhas. Na terceira colheita foi realizada análise de qualidade pós-colheita a partir das seguintes variáveis: pH, sólidos solúveis, acidez titulável, CE do suco e RATIO. Os resultados demonstraram que a frequência de irrigação influenciou significativamente a crescimento e rendimento das plantas. Por outro lado, o estresse salino teve efeito negativo na produção de folhas. A análise dos dados revelou que a salinidade da solução nutritiva impactou negativamente o crescimento e a produção da couve, com aumento na condutividade elétrica resultando em perdas significativas na área foliar e na produção de folhas, evidenciando a sensibilidade da cultura ao estresse salino. A frequência de irrigação também influenciou as variáveis morfológicas, variando de acordo com o nível de salinidade, o que sugere que o manejo da irrigação pode ser um fator determinante para otimizar o desempenho das plantas sob estresse salino. Além disso, o cultivo de couve folha em sistema semi-hidropônico mostrou-se promissor, permitindo um controle mais preciso das condições de cultivo e um uso mais eficiente dos recursos em comparação com métodos tradicionais, destacando-se como uma técnica viável para enfrentar desafios relacionados à salinidade no cultivo de hortaliças. A interação entre a condutividade elétrica da solução nutritiva e a frequência de irrigação também impactou as variáveis de qualidade pós-colheita, como os sólidos solúveis e a condutividade elétrica do suco, sugerindo que a salinidade pode alterar a qualidade nutricional da couve. Conclui-se que, para otimizar a produção da couve folha em sistemas semi-hidropônicos, é fundamental controlar a frequência de irrigação e evitar ou minimizar os efeitos do estresse salino, a fim de garantir tanto a produtividade quanto a qualidade nutricional do produto.