USO DE EFLUENTE DA AQUICULTURA EM SISTEMA DE IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO: QUALIDADE DAS ÁGUAS, DESEMPENHO HIDRÁULICO, PREVENÇÃO DO ENTUPIMENTO E CARACTERIZAÇÃO DO BIOFILME
Sustentabilidade; Reúso; Emissores; Obstrução; Mitigação.
O uso de efluente da aquicultura na agricultura é uma alternativa de mitigação da escassez hídrica no semiárido, diretamente, alinhada ao conceito de economia circular e o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 6 - água limpa e saneamento. Na irrigação localizada, o entupimento de gotejadores ainda é uma barreira, entretanto o uso racional de fertilizantes pode contribuir para a redução dos níveis de obstrução e melhoria do desempenho hidráulico. Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo estudar o desempenho hidráulico de gotejadores aplicando efluente da aquicultura, bem como mitigar o processo de entupimento com aplicação contínua de fertilizante de ação desincrustante. O experimento foi montado na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) em Mossoró-RN, Brasil, em um esquema de parcelas sub-subdivididas no delineamento inteiramente casualizado, com três repetições. Tendo nas parcelas as fontes de águas (Água de abastecimento, efluente da aquicultura e efluente da aquicultura com uso contínuo de fertilizante desincrustante), nas subparcelas os tipos de emissores (SL - 1,6 L/h, ST – 1,6 L/h e GA - 4,0 L/h) e nas sub-subparcelas os tempos de avaliação (0, 40, 80, 120, 160, 200, 240, 280, 320 e 360 h). Para isso, realizou a caraterização físico-química e microbiológica das fontes de águas às 0, 160 e 360 h. A determinação dos indicadores de entupimento e uniformidade de aplicação de água, taxa média de variação de vazão (Dra) e coeficiente de uniformidade de Christiansen (CUC), foi efetuada cada 40 h até completar 360 h. Ao final do experimento coletaram amostras dos biofilmes dos gotejadores das três fontes de água para análises nos equipamentos EDS, DRX e MEV. Os dados de Dra e CUC foram submetidos à ANOVA (p ≤ 0,05) e teste Tukey (p ≤ 0,05). A qualidade do efluente da aquicultura revelou risco de obstrução químico severo (pH, condutividade elétrica, cálcio, magnésio, bicarbonato e dureza), mas esse risco foi baixo para os agentes físico (sólidos suspensos totais) e biológico (Bactérias heterotróficas totais). Houve decréscimo dos valores dos indicadores de desempenho hidráulico Dra e CUC, ao longo do tempo de operação nas subunidades gotejadoras SL e GA, onde SL apresentou maiores níveis de entupimento em função da menor profundidade e comprimento de labirinto em relação aos demais. A ordem crescente da suscetibilidade ao entupimento com efluente de aquicultura foi: SL > ST > GA. Ao final do experimento (360 h), os valores de Dra apresentaram entupimento parcial quando abastecidos com efluente da aquicultura, onde os valores de CUC foram ruins nos emissores ST e SL e regular no GA. A aplicação do fertilizante líquido possibilitou a redução do entupimento e a melhoria da uniformidade de aplicação de água nos três tipos de emissores. Assim, o Dra variou de sem entupimento no ST a entupimento leve nos emissores SL e GA, enquanto o CUC foi classificado como bom, regular e ruim nos emissores ST, GA e SL, respectivamente. A ordem crescente de ganho no desempenho hidráulico com o uso contínuo do fertilizante líquido foi: ST > GA > SL. As análises de EDS, DRX e MEV mostraram que no biofilme houve grande contribuição para sua formação de agentes químicos, como os carbonatos de cálcio e magnésio, bem como a produção de substância polimérica extracelular pelos microrganismos.