Neonicotinoides e fipronil em águas superficiais: abordagem sobre a presença e implicações para o enquadramento dos corpos de água
Prevenção à poluição; inseticidas; instrumentos de gestão; qualidade da água.
A intensificação do uso de agrotóxicos impõe desafios à qualidade das águas superficiais no Brasil. Estimativas da FAO indicaram consumo agrícola superior a 800 mil toneladas de agrotóxicos em 2023, das quais mais de 127 mil toneladas correspondem a inseticidas. Dentre estes, os inseticidas neonicotinoides e o fipronil têm se destacado pela ampla utilização mundial em áreas agrícolas e urbanas. Por outro lado, tais inseticidas têm se destacado também por sua variabilidade de mobilidade, persistência e toxicidade para organismos não-alvo, configurando risco relevante aos ecossistemas aquáticos. Este trabalho tem por objetivo geral embasar a discussão sobre a inclusão de neonicotinoides e fipronil como parâmetros de qualidade da água no processo de enquadramento de corpos hídricos, considerando seus usos preponderantes. A pesquisa está sendo conduzida em duas etapas: (a) revisão sistemática da literatura com protocolo definido com base na iniciativa ROSES, estruturada pela abordagem PICO, com foco em evidências sobre efeitos desses inseticidas em organismos aquáticos e nas faixas de concentração relatadas em águas superficiais e; (b) amostragem exploratória de água em dois pontos (Riozinho Santo Alberto e rio Trairi) da bacia hidrográfica Trairi, localizada no Rio Grande do Norte. Os resultados preliminares reúnem evidências de concentrações de inseticidas neonicotinoides e fipronil que podem gerar toxicidade aguda para invertebrados aquáticos e peixes, com CL₅₀/CE₅₀ variáveis entre espécies e compostos. Ao reunir evidências de efeitos ecotoxicológicos de inseticidas amplamente utilizados, o trabalho apresenta base para aprimoramento de padrões de qualidade da água mais compatíveis com a preservação da biota aquática e concordante à prevenção da poluição de corpos de águas receptores.