Adobe: técnica sustentável de bioconstrução no semiárido potiguar
adobe; fibras vegetais; fibra de coco; construção sustentável; terra crua.
O adobe tem sido retomado como alternativa sustentável para a construção civil devido ao baixo impacto ambiental, à disponibilidade de matérias-primas locais e ao potencial de aplicação em habitações de interesse social. Entretanto, limitações relacionadas à resistência mecânica e à durabilidade frente à ação da água têm motivado pesquisas voltadas ao uso de estabilizantes naturais. Nesse contexto, esta tese avaliou o potencial de fibras vegetais para o aprimoramento do desempenho de blocos de adobe, por meio de uma abordagem teórica e experimental. O primeiro capítulo consistiu em uma revisão sistemática da literatura internacional, realizada nas bases ScienceDirect e Scopus, abrangendo publicações entre 2015 e 2025. Foram identificados nove estudos que investigaram a incorporação de fibras vegetais em blocos de adobe. Os resultados demonstraram que a adição de fibras promove melhorias nas propriedades mecânicas, com ganhos de até 35% na resistência à compressão e de até 19% na resistência à tração, além da redução da retração e do aparecimento de fissuras. No segundo capítulo, foi avaliada a utilização de fibra de coco como estratégia de estabilização natural de blocos de adobe produzidos com solo do município de Assú/RN. O solo apresentou predominância da fração arenosa (68%), baixa plasticidade e elevada presença de quartzo. Foram produzidos blocos contendo 0,0%, 0,5%, 1,0%, 1,5% e 2,0% de fibra de coco, submetidos a ensaios físicos e mecânicos. Os resultados indicaram que a incorporação da fibra contribuiu para o aumento da resistência à compressão, sendo o melhor desempenho obtido com 2,0% de fibra, que atingiu resistência média de 2,48 MPa, representando incremento aproximado de 33% em relação ao bloco de referência. Além disso, observou-se melhoria na estabilidade dimensional dos blocos. Conclui-se que a utilização de fibras vegetais constitui uma alternativa tecnicamente viável para o aprimoramento de materiais terrosos, contribuindo para o desenvolvimento de soluções construtivas sustentáveis, de baixo custo e adequadas às condições do semiárido brasileiro.