O ENSINO NA ALFABETIZAÇÃO E A CONSTITUIÇÃO DO PEDAGOGO-DOCENTE ALFABETIZADOR:
NARRATIVAS (AUTO)BIOGRÁFICAS
Teaching in Literacy and the Formation of the Literacy Teacher-Educator: (Auto)biographical Narratives
Ensino na Alfabetização em escola pública. Formação do pedagogo-docente. Desenvolvimento
profissional. Constituição do pedagogo-docente alfabetizador.
Esta proposta de pesquisa doutoral situa-se no contexto da atuação profissional de pedagogos-
docentes no ensino de alfabetização de crianças, especificamente, na ambiência de turmas de 1o ano
dos anos iniciais do Ensino Fundamental, em escolas públicas. Emerge, pois, da tese de que,
considerando a inexistência de uma formação específica (licenciatura) para o pedagogo-docente
alfabetizador no Brasil e, dessa forma, o fato de que quem assume essa função é o pedagogo-docente,
são as experiências atravessadas pelas narrativas e o diálogo emancipador, que propiciam a reflexão
para construção teórica-epistemológica que fundamente o sujeito, como dispositivos essenciais na
constituição profissional do pedagogo-docente alfabetizador. Entendendo que essas experiências
docentes vividas e mediadas pelo diálogo compreensivo, acessível, constante, reflexivo e consciente
entre discentes e docentes podem se revelar mecanismos de constituição e/ou (auto)formação desse
pedagogo-docente alfabetizador; que as crianças muito têm a dizer sobre seu processo de
alfabetização e de leitura do mundo, e acerca, ainda, de suas experiências na condição de sujeitos
epistêmicos e socioculturais, busco, aqui, compreender, a partir de narrativas (auto)biográficas de
experiências docentes no contexto do ensino na alfabetização em escolas públicas, os dispositivos
contributivos na/para a constituição do pedagogo-docente alfabetizador numa perspectiva sociocultural
e interdisciplinar. Partindo desse, delineio os objetivos específicos: (i) caracterizar experiências e
práticas dialógicas docentes no ensino na alfabetização na escola pública e suas possíveis
reverberações na constituição do pedagogo-docente alfabetizador; (ii) refletir com os sujeitos da
pesquisa acerca da escuta e do diálogo na sua interação didático-pedagógica com os discentes de suas
salas de aula no contexto do ensino da/na alfabetização; (iii) socio-construir o ensino na alfabetização
numa perspectiva sociocultural e interdisciplinar intentando a análise da constituição do pedagogo-
docente alfabetizador; e, (iv) interpretar os contributos das socializações docentes de professores
alfabetizadores experientes, em momentos formativos específicos (encontros, reuniões, estudos,
pesquisas), na constituição do profissional pedagogo-docente alfabetizador. Ancoro-me, teoricamente,
em autores que se debruçam sobre a aprendizagem da docência e a constituição docente situadas no
desenvolvimento profissional de professores (Mizukami, 2002, 2004; Marcelo, 2009; Day, 1999; Farias e
Rocha, 2016 etc); que estudam a pedagogia como ciência, teoria e profissão (Libâneo, 2010; Medeiros e
Araújo, 2025; Pimenta e Severo, 2021; entre outros); a alfabetização na perspectiva do (multi)letramento
(Soares, 2024; Franchi, 2012; Kramer, 2010; Kleiman, 2007, 1995; Rojo, 2012; Cassany e Castellà, 2010);
as práticas docentes (Franco, 2012; 2016; Freire, 2020; Nóvoa, 1995); bem como aqueles que investigam
as narrativas de experiências (Passeggi, 2021; Josso, 2007; Larrosa, 2002; Manen, 2003; etc). Em
termos metodológicos, caracteriza-se como uma pesquisa empírica de abordagem qualitativa
(González, 2005; Bogdan e Bikclen, 1994), cujos procedimentos de produção serão a Roda de Conversa
e a Entrevista Reflexiva (Szymanski, 2011); e o Processo de Interpretação Hermenêutico-
Fenomenológico Complexo (Freire, 2010, 2010, 2017) e de figurará o procedimento de análises das
informações. Espero, assim, contribuir na investigação sobre a formação do pedagogo-docente,
especialmente, no tocante à sua (re)constituição profissional enquanto alfabetizador; propiciar
alternativas de formação ou espaços formativos que coloquem o processo da alfabetização de crianças
como um fenômeno que merece ser “visto”, pois figura (ou deveria figurar) como indispensável na
(com)vivência em sociedade e na busca pela emancipação político-cultural dos sujeitos.