COGNIÇÃO E SUBJETIVAÇÃO EM MOVIMENTO: ARTEQUÍMICA NA PRODUÇÃO DE TINTAS NATURAIS COMO INSTRUMENTO PEDAGÓGICO INTERDIISCIPLINAR
Experiência. Auto-organização. Biologia da Cognição. Transdiciplinaridade
A escola é um espaço de transformação humana. Diante disso, cabe à prática docente possibilitar a construção do sujeito e de seu conhecimento a partir de vivências atravessadas pela sensibilidade, pela experiência, pela escuta, pelo diálogo e pelo amor. Nesse campo, nasce a ArteQuímica, conceito fundamental que tem por alicerce o manifesto ArtScience, os pressupostos da Teoria da Biologia da Cognição de Maturana e Varela, o pensamento complexo de Edgar Morin e a fundamentação da experiência por Jorge Larrosa Bondía e Lucia Pimentel. Assim, essa pesquisa se debruçou sobre a pergunta: como a prática da ArteQuímica com tintas naturais pode favorecer processos autopoiéticos de subjetivação-cognição na perspectiva do paradigma da complexidade? Tratamos, portanto, de compreender a ArteQuímica como um caminho propositivo da vivência, inseparável da cognição, em uma abordagem complexa na qual conhecer e subjetivar emergem juntos. A pesquisa é quanti-qualitativa, tendo como método a cartografia, que investiga as emergências por meio do diário de bordo, registros fotográficos e/ou audiovisuais e textos autorais dos participantes, além da aplicação de uma escala do tipo Likert. Pelas investigações, os participantes se auto-organizaram a cada aula, e isso demonstrou-se no manuseio do pincel, na produção das próprias tintas, nas misturas de cores e nas falas que carregavam ao contar sobre um fato descoberto. O conhecimento ganha vida quando a experiência se torna palpável, sobretudo quando a construção de sentido envolve corpos sensíveis que se veem tomados pelo pertencimento ao território, neste caso, à escola.