“Corpo-Mapa”: a experiência de estudantes negras na graduação em Psicologia
Formação em Psicologia; Negritude; Tornar-se Negra; Cartografia; Interdisciplinaridade.
Esta dissertação cartografa a experiência de estudantes negras na graduação em Psicologia, na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte, interrogando as relações entre formação, negritude e processos de subjetivação implicados no tornar-se negra. A pesquisa parte da compreensão de que a experiência racial não corresponde a uma identidade dada, mas se constitui em meio a relações históricas, sociais, institucionais e afetivas que atravessam os corpos e seus modos de existir. O percurso metodológico orientou-se pela cartografia e desenvolveu-se por meio de oficinas vivenciais grupais com três estudantes negras de cursos de Psicologia, utilizando narrativas, produções escritas e experiências compartilhadas como matéria da investigação. O acompanhamento cartográfico permitiu reconhecer marcas do racismo presentes desde a infância e nas relações familiares e escolares, que se prolongam e assumem configurações próprias no ensino superior e na formação em Psicologia. As experiências das estudantes evidenciaram processos de silenciamento, apagamento e insuficiente incorporação das relações étnico-raciais à formação, ao mesmo tempo que fizeram emergir movimentos de reconhecimento, pertencimento, coletividade e criação de outras possibilidades de existência. Nesse percurso, a escrita-escuta constituiu-se como dispositivo de elaboração da experiência e produção de devires, fazendo do corpo um território no qual se inscrevem tanto as marcas da racialização quanto linhas de fuga e afirmação da negritude. A pesquisa aponta para a necessidade de que a formação em Psicologia não apenas reconheça a presença de estudantes negras, mas se implique institucional e curricularmente na construção de uma formação antirracista, capaz de acolher suas experiências, produzir pertencimento e ampliar as possibilidades de formação e atuação profissional.