LUZ, CÂMERA, COOPERAÇÃO: cartografando uma experiência de criação audiovisual
Cooperação. Audiovisual. Escola. Biologia do Conhecimento.
O ambiente escolar contemporâneo tem se tornado, de forma crescente, um espaço de desgaste emocional e físico, resultando no adoecimento de professores e alunos. Esse fenômeno é intensificado pelo individualismo pós-moderno, que dificulta o estabelecimento de vínculos colaborativos e cooperativos. Diante desse cenário, a presente pesquisa investiga como a linguagem audiovisual pode atuar como um dispositivo para a emergência de práticas cooperativas em uma escola pública de ensino médio em Aracati-CE. O objetivo geral é compreender como os processos relacionais emergem em uma comunidade escolar a partir da experiência coletiva de realização de um filme em curta metragem, na qual o coletivo é convidado a problematizar a cooperação na escola. A fundamentação teórica ancora-se na Biologia do Conhecimento de Humberto Maturana e Francisco Varela, que compreende o conhecer como um fazer indissociável do viver e define o amor como a emoção fundante do social e da aceitação do outro. Do ponto de vista metodológico, adota-se a pesquisa-intervenção de natureza qualitativa, fundamentada na cartografia como estratégia para acompanhar os movimentos, afetos e tensões que atravessam o grupo durante o processo de produção. O dispositivo central é o desenvolvimento coletivo de um filme envolvendo estudantes, professores e demais servidores, visando romper hierarquias rígidas e rotinas cristalizadas. A pesquisa em desenvolvimento situa o dispositivo audiovisual como uma tecnologia relacional capaz de promover deslocamentos subjetivos e institucionais, fortalecendo a saúde mental e o cuidado nas relações cotidianas. O estudo busca apontar caminhos para a construção de ambientes educacionais mais dialógicos e afetivos.