REPRESENTAÇÃO DE CIÊNCIA E CIENTISTA PRODUZIDOS POR CRIANÇAS QUILOMBOLAS: uma análise a partir de um projeto de divulgação científica
Divulgação Científica; Crianças; Quilombolas
O delineamento de políticas culturais e práticas educacionais voltadas para a
democratização do conhecimento científico é de grande importância para o processo de
constituição do sujeito e para a garantia dos direitos humanos, porém, sua divulgação
em comunidades quilombolas e do campo é perpassada por várias questões históricas,
especialmente, pela elitização dos saberes, falta de acesso a espaços culturais e
ferramentas de divulgação científica. O que pode influenciar a maneira como a
comunidade, e em especial as crianças pintam a imagem dos cientistas e das cientistas.
Assim, este projeto tem como objetivo divulgar cientistas negros e negras e identificar a
percepção que crianças quilombolas tem dos cientistas e da ciência em seu imaginário
baseado na análise semiótica de desenhos produzidos por crianças com faixa etária entre
5 e 10 anos, em duas comunidades quilombolas da cidade de Portalegre no Rio Grande
do Norte. Além dos aspectos visíveis, verbalizados, da cultura científica busca-se
também, identificar imagens e atitudes que podem ser catalizadores importantes na
construção das representações de ciência e tecnologia. Será construído dois grupos
focais, um na comunidade Pêga e outro no Arrojado (comunidades quilombolas),
utilizando a metodologia do grupo focal, onde o roteiro do grupo será um “conto”,
histórias de vida de cientistas negros e negaras, para as crianças depois reproduzirem
essa história, inventando-a e desenhando-a. No segundo momento será montada uma
exposição de experimentos químicos (simulação de um laboratório de ciências da
natureza), para as crianças realizarem, após a realização das atividades experimentais,
elas irão desenhar novamente a representação de um cientista, o que constituiu uma
evolução dinâmica e aprofundada do chamado “DAST” “Draw A Scientist Test”. Esta
pesquisa apresentara dados que irão subsidiar políticas culturais e práticas educacionais,
sobre a importância da divulgação científica, em cidades e comunidades que estão
distantes dos grandes centros urbanos, além de produzir um material de divulgação
científica com cientistas negros e negras, disponibilizando acesso à informação, a
representatividade da população negra na ciência e incentivar as crianças a conhecerem
o mundo da pesquisa e da ciência, promovendo cidadania, pois o acesso à cultura
acadêmica de uma sociedade é requisito básico para o exercício da democracia.