Vivência-Formação: cuidado participativo em saúde mental, gestão autônoma da medicação e residências em saúde da família e comunidade em Mossoró/RN
Gestão Autônoma da Medicação; Educação Permanente em Saúde; Atenção Básica; Residências em Saúde; Pesquisa-Formação-Intervenção.
Esta pesquisa se debruça sobre o contexto da medicalização e da medicamentalização na Atenção Básica no município de Mossoró/RN, propondo-se, por meio de pesquisa-formação-intervenção, a colocar em discussão os princípios da Gestão Autônoma da Medicação (GAM) e da Educação Permanente em Saúde (EPS) entre residentes e preceptores das residências em Saúde da Família e Comunidade. Considera-se a necessidade de ampliar o acolhimento, a resolutividade e a autonomia dos usuários, conforme preconizado pela estratégia GAM, desenvolvida no Canadá e adaptada no Brasil por meio de pesquisa interdisciplinar em saúde mental coletiva. Para atingir os objetivos propostos, foi concebido o dispositivo da Vivência-Formação, envolvendo interação investigativa acerca do campo da saúde mental no território e problematização de conhecimentos e práticas em saúde mental na AB da cidade. A Vivência-Formação ocorreu em quatro encontros semanais de 4h, contando com residentes e preceptores das residências Médica e Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade do município. Participaram dos encontros profissionais médicos, psicólogos e enfermeiros, e foi preconizado o diálogo, as trocas intersubjetivas e a cogestão do grupo. Os momentos grupais envolveram o reconhecimento de necessidades do território, a reflexão acerca das práticas de cuidado em saúde mental, a familiarização com a estratégia GAM e sua problematização por meio de roda de conversa, dispositivo grupal e dramatização. Constituiu-se, assim, um espaço formativo orientado pela ética dos encontros e pelo cuidado compartilhado em saúde mental. A experiência proporcionou mobilização política e afetiva dos profissionais em torno da construção e sustentação de novos horizontes de cuidado, artesanais e locorregionalmente situados. O encontro com a GAM produziu deslocamentos nas formas de pensar e produzir o cuidado, mobilizando coletivamente o sensível e constituindo-se, simultaneamente, como espaço de educação, cuidado e articulação, contrapondo-se ao paradigma da centralidade do diagnóstico médico e da prescrição terapêutica medicamentosa, em direção ao cuidado participativo em saúde mental.