ENSAIO SOBRE AUTORITARISMO E CAPTURA DOS AFETOS: uma chave de
leitura do caso Brasil
Democracia; Capitalismo cognitivo; Produção de subjetividades;
Neoliberalismo.
Este trabalho investiga como o autoritarismo brasileiro se constitui e se reinventa como marca
histórica e dinâmica contemporânea, analisando sua atuação em rupturas institucionais e em
microrrelações cotidianas. Tem como objetivo propor chaves de leitura que possibilitem
interpretar os processos de captura das afecções, de fragilização democrática e de atualização
do autoritarismo brasileiro. A pesquisa utiliza como eixo metodológico uma abordagem
ensaística, conforme formulada por Victor Gabriel Rodríguez, e toma eventos como as Jornadas
de 2013, o não reconhecimento do pleito presidencial de 2014, o impeachment de 2016, a
ascensão de Jair Bolsonaro e os atos de 8 de Janeiro de 2023 como marcadores analíticos para
identificar a persistência e a metamorfose do autoritarismo no país. A investigação mobiliza a
perspectiva de Vladimir Safatle sobre a captura dos afetos, compreendendo como regimes
neoliberal-capitalistas modulam emoções, produzem subjetividades e estruturam formas de
sujeição que reforçam a adesão a projetos autoritários. Articula também o referencial de
Maurizio Lazzarato e Antonella Corsani acerca do capitalismo cognitivo, analisando como
processos de exploração imaterial e produção de subjetividades operam na constituição de
dispositivos contemporâneos de poder que favorecem a reconfiguração do autoritarismo no
Brasil. Por fim, identifica marcadores de insurreição contra essas dinâmicas, compreendendo a
Reforma Psiquiátrica e Sanitária e a presença de pessoas trans na política Nacional como
expressões de um processo larvar de resistência.