MENTES QUE NÃO PARAM": PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES COM TDAH SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS E O CAMINHO PARA A INCLUSÃO UNIVERSITÁRIA.
Educação inclusiva. Engajamento acadêmico. Estudantes universitários com TDAH. Metodologias participativas. Neurodivergência.
O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que impactam negativamente a vida acadêmica, ocupacional e social. No ensino superior, esses sintomas estão associados a dificuldades significativas de permanência, desempenho e bem-estar psicológico. Considerando esse contexto, esta dissertação teve como objetivo investigar a percepção de discentes com diagnóstico de TDAH acerca da utilização de metodologias ativas de ensino no processo de aprendizagem e sua influência na inclusão universitária. Trata-se de uma pesquisa de abordagem mista, com delineamento quanti-qualitativo, desenvolvida entre agosto e dezembro de 2024, na Faculdade de Enfermagem Nova Esperança, em Mossoró-RN. A amostra compreendeu 15 discentes com diagnóstico clínico de TDAH, regularmente matriculados na graduação. A intervenção foi realizada por meio da oferta de uma disciplina optativa com carga horária de 40 horas, divididas igualmente entre metodologias tradicionais (aulas expositivas e aprendizagem por memorização) e metodologias ativas (sala de aula invertida e aprendizagem baseada em problemas). Foram aplicados questionários sociodemográficos, escala tipo Likert adaptada, avaliações teóricas e entrevistas semiestruturadas com 10 participantes, além de registros em diário de campo. Os dados quantitativos foram analisados com auxílio do software STATA, por meio de estatísticas descritivas e teste binomial para duas proporções; os dados qualitativos foram tratados por análise de conteúdo segundo Bardin. Os resultados revelaram que as metodologias ativas favoreceram maior engajamento, participação e compreensão por parte dos estudantes com TDAH, especialmente nas atividades práticas, colaborativas e contextualizadas. As entrevistas evidenciaram que os discentes percebiam-se mais incluídos e produtivos durante a etapa com metodologias ativas, ao passo que as estratégias tradicionais intensificavam sentimentos de inadequação e distração. Destacou-se ainda a importância do acolhimento institucional, da escuta qualificada e da flexibilização pedagógica como elementos fundamentais para a permanência desses estudantes. Conclui-se que o uso de metodologias ativas no ensino superior constitui um recurso promissor para a construção de ambientes mais acessíveis, participativos e coerentes com as necessidades de estudantes neurodivergentes.