TERMORREGULAÇÃO DE ABELHAS NATIVAS SEM FERRÃO EM DIFERENTES ZONAS DO BIOMA CAATINGA
Melipona subnitida; atividade de forrageamento; temperatura corporal; microclima; variáveis ambientais
As abelhas sem ferrão desempenham papel essencial na polinização e na manutenção da biodiversidade da Caatinga, porém sua fisiologia e atividade podem ser afetadas pelas variações microclimáticas. Este estudo avaliou a termorregulação e a atividade de forrageamento de Melipona subnitida em duas regiões com condições ambientais contrastantes: Mossoró, no interior semiárido, e Fortaleza, na região costeira semiúmida. Oito colônias foram selecionadas em cada local, e as abelhas forrageiras foram condicionadas a coletar solução de sacarose em alimentadores padronizados. A temperatura da cabeça, tórax e abdômen foi registrada por termografia infravermelha, enquanto a atividade de forrageamento foi estimada pelo número médio de abelhas presentes nos alimentadores. Simultaneamente, foram monitoradas temperatura do ar, umidade relativa, velocidade do vento, luminosidade e temperaturas de globo negro ao sol e à sombra. As condições meteorológicas variaram ao longo do dia e entre os locais, com Mossoró apresentando, em geral, maior exposição térmica e menor umidade relativa. A temperatura corporal diferiu entre regiões do corpo, horários e localidades, sendo o tórax a região mais quente. A partir das 08h30, as temperaturas corporais foram mais elevadas em Mossoró, e a temperatura torácica aumentou significativamente com a temperatura do ar em ambos os locais, com resposta mais acentuada no ambiente semiárido. A atividade de forrageamento também variou ao longo do dia e entre as localidades, sendo mais intensa nas primeiras horas da manhã e reduzindo nos períodos de maior aquecimento. A seleção de modelos indicou associação entre variáveis ambientais e forrageamento, destacando-se a umidade relativa e a temperatura do globo à sombra, embora algumas variáveis apresentassem forte correlação entre si. Os resultados evidenciam que as condições microclimáticas modulam a temperatura corporal e o comportamento de forrageamento de M. subnitida, com respostas distintas entre ambientes costeiros e interioranos, reforçando a importância do microclima para sua ecologia térmica e conservação.