PADRÕES E DETERMINANTES DA DIVERSIDADE BETA DA METACOMUNIDADE DE MACROINVERTEBRADOS AQUÁTICOS DE RIACHOS INTERMITENTES DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Turnover, Filtragem Ambiental, Restrição De Dispersão, Conectividade Hidrológica
Filtros ambientais e espaciais são os principais determinantes do funcionamento de metacomunidades aquáticas em riachos intermitentes. Entretanto, a importância relativa desses processos pode variar de acordo com o período do ciclo hidrológico e com a extensão da escala espacial do estudo. A despeito dessa dependência de contexto, pouco é conhecido como esses processos influenciam a diversidade beta de macroinvertebrados em riachos intermitentes do semiárido brasileiro. Neste contexto, investigamos como fatores ambientais e espaciais influenciam os padrões espaciais da diversidade beta de macroinvertebrados aquáticos no período de secagem dos riachos, em uma escala espacial intermediária (30 km de extensão). Amostragens de macroinvertebrados aquáticos e de variáveis ambientais foram realizadas em 34 sites (50 m) distribuídos longitudinalmente em riachos da Bacia Hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró. Macroinvertebrados foram coletados em campo usando redes tipo-D em diferentes habitats ao longo de cada site. Para quantificar a variação ambiental local, foram medidos em campo os valores de oxigênio dissolvido, temperatura, condutividade elétrica, pH, porcentagem de areia, silte e argila, largura e profundidade média. Em laboratório foram medidas as concentrações totais de fósforo e nitrogênio, clorofila-α, sólidos totais dissolvidos e carbono orgânico total no sedimento. Usamos índices de dissimilaridade baseados em incidência (Sørensen) e abundância de espécies (Bray-Curtis) para quantificar os padrões de diversidade beta, e particionamos suas variações em seus respectivos componentes: turnover e nestedness para o índice de Sørensen, e balanced variation in species abundance e abundance gradient para o índice de Bray-Curtis. Para quantificar a variação espacial, criamos uma matriz de vizinhança baseada em uma matriz fluvial. Selecionamos as variáveis ambientais e espaciais adequadas para cada conjunto de dados através de um procedimento foward. Usamos análises de redundância baseada em dissimilaridade simples e parcial e partição de variância para quantificar os efeitos puros e compartilhados das matrizes ambientais e espaciais resultantes sobre as matrizes dissimilaridade geradas. A metacomunidade de macroinvertebrados apresentou valores médios intermediários de dissimilaridade de Sørensen (0,45) e Bray-Curtis (0,56), com os componentes de turnover e balanced, respectivamente, contribuindo com mais de 80% da variação dos índices. Os resultados das partições de variâncias demostraram que os efeitos puros ambientais (8,5%) e espaciais (9,5%) contribuíram similarmente para o índice de Sørensen, com o efeito compartilhado (4,7%) apresentando menor influência relativa, mas que o espaço puro (10,3%) foi mais importante para o índice de Bray-Curtis quando comparado ao efeito ambiental (2,7%) e compartilhado (1,6%). Entretanto, para os componentes particionados do índice de Sørensen o padrão foi diferente, com o efeito compartilhado apresentando a maior contribuição para o turnover (12,0%), e o efeito ambiental puro (26,0%) apresentando a maior contribuição para o nestedness. Para o componente de balanced (10,3%) o padrão foi similar ao encontrado para o índice de Bray-Curtis. Nossos resultados sugerem que efeitos ambientais e espaciais atuam em conjunto na estruturação da metacomunidade de macroinvertebrados aquáticos de riachos intermitentes no período de secagem, mas que sua influência varia de acordo com o componente da diversidade beta analisado.