POTENCIALIDADE DA ÁGUA PRODUZIDA DE PETRÓLEO NA IRRIGAÇÃO DE MANDIOCA PARA A PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS
Manihot esculenta Crantz, Água de petróleo, Reuso hídrico, Salinidade, Bioetanol, Eficiência do uso da água
A região semiárida destaca-se pela ocorrência de insuficiência hídrica, ocasionada por baixa precipitação e elevada evapotranspiração. Em paralelo a isso, a agricultura irrigada demanda grandes volumes de água. O uso de fontes hídricas não convencionais, como a água produzida de petróleo, surge como uma alternativa estratégica para a expansão da bioeconomia no Semiárido brasileiro. Este trabalho objetivou avaliar o potencial produtivo, a eficiência hídrica e o desempenho agroenergético das cultivares de mandioca Recife e Venâncio irrigadas com água produzida tratada sob diferentes lâminas de irrigação e tempos de colheita. Os experimentos foram conduzidos em delineamento de blocos casualizados, testando quatro lâminas de irrigação (25, 50, 75 e 100% - ETc), dois níveis de salinidade da água (S1: 0,8 dS m⁻¹ e S2: 4,8 dS m⁻¹ - caracterizando a água produzida tratada) e quatro períodos de colheita (6, 8, 10 e 11 meses). Os resultados indicaram respostas genotípicas contrastantes: a cv. Recife demonstrou alta responsividade à disponibilidade hídrica, atingindo produtividades superiores a 30 t ha⁻¹ sob irrigação plena (100% ETc) e água doce, porém com severa restrição produtiva (queda de ~54%) sob salinidade. Em contraste, a cv. Venâncio exibiu elevada resiliência, mantendo a produtividade de amido estável e incrementando o teor de matéria seca das raízes sob irrigação com água produzida. Para ambos os genótipos, a Eficiência do Uso da Água (EUA) foi maximizada sob regimes de irrigação deficitária (25% e 50% da ETc). A colheita aos 8 meses configurou-se como o ponto ótimo para ambas as cultivares, conciliando máxima eficiência hídrica, acúmulo de amido e produção potencial de bioetanol, que na cv. Venâncio superou 5,0 m³ ha⁻¹, equiparando-se à média regional da cana-de-açúcar. Adicionalmente, o aproveitamento da biomassa aérea para a produção de biochar demonstrou o potencial do sistema no sequestro de carbono. Conclui-se que a água produzida de petróleo possui elevado potencial para a irrigação da mandioca, sendo a cultivar Venâncio a mais apta para sistemas de reuso, permitindo a transformação de um efluente industrial em insumo para a produção sustentável de energia e biomassa contribuindo com uma economia circular no Semiárido potiguar.