REMOÇÃO DE HERBICIDAS EM ÁGUAS CONTAMINADAS A PARTIR DE BIOADSORVENTES QUIMICAMENTE ATIVADOS
Bioadsorvente; Herbicidas; Adsorção; Economia Circular; Regeneração.
O aumento da presença de herbicidas em recursos hídricos, notadamente de compostos persistentes como a atrazina e derivados de ácidos auxínicos, tem exigido abordagens remediadoras sustentáveis e eficientes. Este estudo avaliou a aplicação de bioadsorventes produzidos a partir de resíduos vegetais, especificamente podas de nim indiano (Azadirachta indica) e de algaroba (Prosopis juliflora), quimicamente ativados com ácido sulfúrico, para
adsorção de atrazina, deisopropilatrazina, picloram, 2,4-D e dicamba de soluções aquosas. Os materiais foram caracterizados por técnicas físico-químicas abrangentes (incluindo análise elementar, termogravimetria, FRX, FTIR-ATR, MEV e ponto de carga zero), evidenciando composição lignocelulósica, significativa incorporação de grupos oxigenados e sulfurosos e aumento de porosidade após a ativação. Ensaios em batelada investigaram os efeitos de pH, massa de adsorvente, concentração inicial e tempo de contato, revelando elevada eficiência de remoção (acima de 98 % para atrazina e derivados; 95 – 99 % para os auxínicos), mesmo em concentrações elevadas (10 vezes a permitida). O bioadsorvente de nim indiano apresentou pHpzc de 3,04 e de 3,08 para a algaroba. A cinética de adsorção foi melhor descrita pelo modelo de Avrami, indicando rápida fixação nos minutos iniciais; as isotermas de Freundlich (nim) e Langmuir (algaroba) refletiram comportamento heterogêneo e multicamada. Os bioadsorventes mostraram estabilidade e alto desempenho após múltiplos ciclos de regeneração, com destaque
para a diminuta dessorção da atrazina e capacidade adsortiva significativa para seus derivados. Os materiais, especialmente a algaroba, mantiveram-se eficazes em ampla faixa de pH e em águas reais. Os resultados confirmam o potencial dos bioadsorventes vegetais ativados como soluções versáteis, ambientalmente seguras e de baixo custo para o tratamento de águas contaminadas por herbicidas, promovendo a valorização de resíduos urbanos e alinhamento com princípios de economia circular e sustentabilidade ambiental.