ÁGUA DERIVADA DA EXTRAÇÃO DO PETRÓLEO ONSHORE NA IRRIGAÇÃO DE Eucalyptus spp.
gerenciamento da água produzida, produção de mudas, reutilização de efluente, silvicultura, semiárido.
O uso sustentável de recursos hídricos alternativos é um desafio estratégico para a expansão da silvicultura em regiões semiáridas. Assim, este trabalho investigou o potencial da Água Produzida tratada (AP), efluente oriundo da extração de petróleo e gás onshore, como fonte viável de irrigação para clones híbridos de Eucalyptus spp., considerando as fases de enraizamento e crescimento inicial. O primeiro estudo avaliou o efeito da AP sob o enraizamento adventício de 5 clones (13, 14, 30, 104 e 106), quando propagados via miniestaquia, utilizando delineamento fatorial 2 × 5 (100% AP vs. água de abastecimento urbano – AA; cinco clones híbridos de Eucalyptus spp.), com 5 repetições. Foram analisadas características morfológicas (percentual de enraizamento, altura, número de raízes, biomassa), bem como parâmetros da água (CE, RAS, TOG, metais e nutrientes). Os resultados mostraram que a AP, dentro dos limites regulatórios, não comprometeu o enraizamento (média = 92,8%) nem a sobrevivência (95,2%), com destaque para os clones 104 e 106, que apresentaram maior vigor sob irrigação com AP. A análise multivariada revelou perfis de tolerância genótipo-específicos, indicando o potencial da AP para uso na fase de propagação. O segundo estudo focou no crescimento inicial em vasos durante 91 dias, no segundo semestre de 2024, avaliando a alocação de biomassa, carbono (C) e a distribuição de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) em 5 clones sob 3 proporções de AP (0%, 50% e 100%). Houve forte interação genótipo × água, evidenciando distintas estratégias morfofisiológicas de resposta ao aumento iônico proporcionado pela AP. O clone C3 destacou-se pela maior alocação de C e eficiência de uso de K, enquanto o C5 adotou estratégia conservativa, priorizando alocação radicular e acúmulo de N e P na raiz. O clone C2 apresentou baixa eficiência no uso de N e menor produtividade, sendo mais sensível à composição iônica da AP. A irrigação com AP não comprometeu o desempenho produtivo dos clones mais tolerantes, indicando viabilidade técnica do reuso. Contudo, recomenda-se manejo cauteloso e monitoramento edáfico contínuo, dada a potencial acumulação de sais e metais no solo. Assim, a AP tratada apresentada representa uma alternativa promissora para uso racional da água em sistemas florestais, desde que integrada a programas de melhoramento genético e práticas de manejo sustentáveis com monitoramentos constantes.