| ESTRATÉGIAS DE IRRIGAÇÃO COM DÉFICIT HÍDRICO NO CULTIVO DE GENÓTIPOS DE ALGODOEIRO DE FIBRA COLORIDA |
Gossypium hirsutum L. fases fenológicas. restrição hídrica. epigenia.
O algodoeiro é uma cultura de clima tropical e cultivado na maioria das regiões de clima quente, apresentando tolerância à seca, característica importante para a prática da agricultura na região semiárida do Nordeste brasileiro. Devido às secas que ocorrem periodicamente nesta região, faz-se necessário o uso da prática da irrigação para minimizar o efeito do déficit hídrico nesta cultura. A irrigação desempenha um papel crucial na agricultura, especialmente em regiões com disponibilidade hídrica limitada, no entanto, devido ao baixo volume disponível é necessário o uso de estratégias de irrigação para garantir o crescimento das plantas nas diferentes fases fenológicas. Objetivou-se avaliar o efeito do déficit hídrico sobre as trocas gasosas, fluorescência da clorofila a, morfologia, produção, relações hídricas e a qualidade da fibra de genótipos de algodoeiro de fibra colorida, nas fases fenológicas, no semiárido brasileiro em três ciclos produtivos. A pesquisa foi constituída de três ciclos realizados em lisímetros de drenagem no período de julho a dezembro de 2022, sob condições de campo, no Centro de Ciências e Tecnologia Agroalimentar pertencente à Universidade Federal de Campina Grande, Pombal, Paraíba. No Experimento I foi utilizado o delineamento em blocos ao acaso, em esquema fatorial 3 × 7 (‘BRS Rubi’, ‘BRS Jade’ e ‘BRS Safira’) e sete estratégias de irrigação com 40% da Evapotranspiração Real (ETr) variando as fases fenológicas. No Experimento II (segundo ciclo de produção), as plantas submetidas aos tratamentos de irrigação com déficit hídrico foram originadas a partir de sementes colhidas, no ciclo produtivo I, sob condições adequada de irrigação e sob estresse hídrico. Portanto, foi avaliada a influência do estresse hídrico em que foram formadas as sementes, sobre as plantas de um novo ciclo produtivo, submetidas, também, ao déficit hídrico; este segundo experimento foi realizado no delineamento de blocos ao acaso e esquema fatorial 3 × 10 sendo três genótipos de algodão de fibra colorida (‘BRS Rubi’, ‘BRS Jade’ e ‘BRS Safira’) e dez estratégias de manejo da irrigação com déficit hídrico nas fases fenológicas da cultura. Os dados foram avaliados usando o teste F e, quando significativas, as médias foram comparadas pelo teste de Scott‐Knott (p ≤ 0,05), para estratégias de irrigação com déficit hídrico, e pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05), para os genótipos de algodoeiro. O déficit hídrico, quando aplicado de forma controlada, pode ser uma estratégica de manejo da irrigação no manejo de genótipos de algodoeiro, porém seus efeitos variam significativamente entre as fases fenológicas, ciclos produtivos e genótipos analisados. Os Experimentos realizados destacam que o genótipo ‘BRS Jade’ apresenta maior tolerância ao estresse hídrico, sobressaindo-se em trocas gasosas, crescimento, produção e qualidade da fibra, mesmo em plantas oriundas de sementes submetidas a déficits hídricos anteriores. Além disso, há possível evidência de transmissão epigenética de características adaptativas, demonstrando potencial para mitigar os impactos do estresse hídrico em ciclos subsequentes. Por outro lado, os resultados mostram que o déficit hídrico aplicado em fases críticas, como floração e frutificação, pode comprometer o desenvolvimento, especialmente no segundo ciclo, reduzindo a eficiência produtiva e qualidade das fibras, exceto em genótipos mais adaptados. A irrigação com déficit hídrico na fase vegetativa do algodoeiro pode ser utilizada nos dois ciclos de cultivo do algodoeiro.