SIMPLIFICAÇÃO DE HABITAT E SEUS EFEITOS SOBRE A BIODIVERSIDADE DO SOLO E FUNCIONALIDADE DOS ECOSSISTEMAS
Palavras-chave: Desmatamento. Variabilidade Climática. Conservação do Solo. Serviços Ecossistêmicos. Florestas Tropicais. Mudanças no Uso do Solo.
Resumo: A biodiversidade do solo e os processos ecológicos envolvidos na produção de biomassa, fertilidade do solo, estocagem de carbono e ciclagem de nutrientes podem ser facilmente influenciados por fatores externos, a citar a cobertura vegetal e as condições climáticas. Para este estudo, foram realizados três experimentos de campo com o objetivo de avaliar a influência da simplificação de habitat e da condição climática na biodiversidade de organismos do solo e na multifuncionalidade dos ecossistemas. O primeiro experimento envolveu a coleta de dados de três sistemas de uso do solo: ecossistema natural, pastagem e ambiente desmatado. Para cada ecossistema, foram coletadas cinco amostras de solo a uma profundidade de 0,2 m, sendo avaliado a abundância e diversidade de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) e algumas propriedades químicas do solo. Ao todo, foram identificadas 15 espécies de FMA, sendo 12 encontradas no ecossistema natural, 9 na pastagem e 10 no ambiente desmatado, com o ecossistema natural dispondo dos maiores valores para a riqueza de espécies, diversidade de Shannon e dominância de Simpson. Para as propriedades químicas do solo, verificou-se que o ecossistema natural apresentou os maiores valores de P disponível e N total. Já a área desmatada apresentou os maiores valores de pH do solo, enquanto a área da pastagem se destacou pelo maior conteúdo de carbono orgânico e N total. O segundo capítulo objetivou avaliar o papel da biodiversidade do solo na multifuncionalidade dos ecossistemas. A pesquisa foi realizada em condições de campo em um esquema fatorial 3×2, correspondente a três usos do solo (ecossistema natural, pastagem e área desmatada) e duas estações do ano (chuvosa e seca). Em cada tratamento, foram avaliados a influência da biodiversidade do solo na produção primária, fertilidade do solo, ciclagem de nutrientes e estabilidade do ecossistema. A biodiversidade do solo demostrou ser o fator de maior contribuição para os processos ecossistêmicos, sendo negativamente influenciada pela conversão florestal em pastagens e locais desmatados. Não foram observados efeitos diretos e indiretos da sazonalidade climática na produção primária, ciclagem de nutrientes, biodiversidade, fertilidade do solo e estabilidade do ecossistema. Por fim, o terceiro capítulo objetivou avaliar o impacto da variabilidade climática e simplificação de habitat na diversidade de organismos do solo, produção de biomassa, dinâmica da serrapilheira e propriedades físico-químicas do solo. O experimento foi conduzido em um esquema fatorial 3×3, com três sistemas de usos do solo (ecossistema natural, pastagem e área desmatada) e três tipos de clima (As, Aw e Bsh). Ao todo, foram identificadas 18 ordens de organismos do solo, com maior abundância de organismos sob ecossistema natural e no clima Bsh. A alteração na cobertura vegetal reduziu consideravelmente a produção de biomassa, deposição e teores N, P e C da serrapilheira, independente de tipo de clima. Não foram observadas diferenças significativas para o pH do solo e fósforo disponível. Contudo, verificou-se que os ecossistemas naturais, em todos os tipos de clima, apresentaram os maiores valores para o nitrogênio total, carbono orgânico e estoque de carbono do solo, enquanto os locais desmatados se sobressaíram em relação aos demais ecossistemas, quanto à densidade do solo.