Utilização do Extrato Hidroalcoólico da Casca de Pitaya (Hylocereus polyrhizus) na Carne Ovina.
aditivo natural; fruta dragão; subproduto agroindustrial.
A crescente demanda por alimentos mais saudáveis e sustentáveis tem incentivado a indústria alimentícia a substituir aditivos químicos por alternativas naturais, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 e 12 da Agenda 2030. Nesse contexto, subprodutos agroindustriais, como a casca da pitaya vermelha (Hylocereus polyrhizus), têm se destacado por conter compostos bioativos, como fenólicos, flavonoides e betalaínas, com propriedades antioxidantes e antimicrobianas. Este estudo teve como objetivo caracterizar o extrato hidroalcoólico da casca de pitaya (EHCP), avaliando seu rendimento, composição química e eficácia antimicrobiana. As cascas foram sanitizadas, secas, trituradas e submetidas à extração com etanol e água (40:60 v/v) na proporção de 1:10. O rendimento foi determinado após a filtração e evaporação do solvente, resultando em 831 mL de extrato a partir de 177 g de casca seca. O extrato foi analisado quanto à concentração de compostos fenólicos e flavonoides, atividade antioxidante (DPPH) e ação antimicrobiana contra Escherichia coli, Pseudomonas spp. e Staphylococcus aureus. O EHCP apresentou boa capacidade antioxidante e inibiu o crescimento de Pseudomonas spp. e S. aureus em concentração de 5%, mas não foi eficaz contra E. coli. Com base nos resultados promissores, avaliou-se a aplicação do extrato na conservação de carne ovina, um produto de valor crescente, mas suscetível à deterioração microbiana e oxidativa. Pernil ovino foi dividido em quatro grupos: controle (sem tratamento) e três tratamentos imersos em EHCP por 15 (T1), 30 (T2) e 60 minutos (T3). As amostras foram armazenadas a 4 °C e analisadas nos dias 0, 3 e 6 quanto a pH, cor, capacidade de retenção de água (CRA), perda de peso por cocção (PPC), força de cisalhamento (FC) e contagem de bactérias mesófilas. Os resultados indicaram que a aplicação do extrato não comprometeu as características físico-químicas da carne, como cor, maciez e CRA. Embora não tenha havido diferença significativa nos parâmetros avaliados, observou-se uma tendência de redução na contagem de mesófilos nos grupos T1 e T2. Conclui-se que apesar das cascas de pitaya apresentarem um grande potencial para a obtenção de compostos bioativos comprovados na literatura, métodos para a obtenção desses compostos e aplicação em produtos alimentícios devem ser estudos para viabilizar seu uso.