Indicadores de sustentabilidade para segurança hídrica das águas subterrâneas no semiárido potiguar
Matriz FPEIR, Gestão da água, Sustentabilidade hídrica.
A gestão de mananciais subterrâneos em regiões semiáridas constitui um desafio estrutural devido à intermitência das fontes superficiais e à vulnerabilidade climática intrínseca. Este trabalho teve como objetivo avaliar a sustentabilidade e a segurança hídrica das águas subterrâneas no município de Umarizal, localizado no semiárido potiguar, por meio da construção de um modelo integrado de indicadores. A abordagem metodológica fundamentou-se na estruturação da matriz Força-Pressão-Estado-Impacto-Resposta (FPEIR). Os indicadores qualitativos e quantitativos foram extraídos de levantamentos de campo e questionários semiestruturados aplicados a usuários e gestores hídricos locais. Para atenuar a subjetividade na atribuição de relevância das variáveis, utilizou-se o Processo Analítico Hierárquica (AHP) na calibração dos pesos de cada dimensão. Os resultados do mapeamento direto identificaram 89 poços operantes em campo que, agregados aos registros oficiais preexistentes, totalizam 147 captações ativas, evidenciando o adensamento e a dependência local desse recurso. Embora os componentes de Estado e Impacto tenham demonstrado estabilidade física e baixa incidência de conflitos sociais, identificou-se um cenário crítico na dimensão de Pressão devido à proximidade inadequada (35,3%) entre poços e fossas sépticas domésticas. O cálculo ponderado final resultou em um Índice FPEIR de 0,328, enquadrando a área de estudo em um patamar de Baixa Sustentabilidade. Diante desse cenário, a pesquisa identificou que a principal fragilidade local reside na dimensão do indicador Resposta, marcada pela ausência completa de outorga de direito de uso nos poços mapeados e pelo vácuo de monitoramento contínuo pelo poder público. Como encaminhamento prático para a reversão desse quadro, o estudo propõe diretrizes para a regularização cadastral em lote junto ao órgão estadual, a instituição de redes de amostragem piezométrica e a criação de perímetros de proteção sanitária municipais para salvaguardar as zonas de fratura do aquífero cristalino.