ANÁLISE DO RISCO DA OCORRÊNCIA DE Mycosphaerella fijiensis PARA O ESTADO DO CEARÁ E ESTRATÉGIAS DE MITIGAÇÃO PARA AS SIGATOKAS
Banana; Defesa Sanitária Vegetal; Monitoramento
No Brasil, a banana é a segunda fruta mais importante do país, e o estado do Ceará destaca-se como o terceiro maior produtor do Nordeste. No entanto, problemas relacionados a doenças, como a Sigatoka-amarela e o risco de introdução da Sigatoka-negra, podem comprometer essa sustentabilidade, uma vez que reduzem a produção e elevam os custos de controle. Este estudo integrou três abordagens. Na primeira, foi realizado o zoneamento de risco para a introdução da Sigatoka-negra no estado do Ceará. Foram utilizadas séries históricas de precipitação, temperatura do ar e umidade relativa, os municípios foram classificados quanto à favorabilidade à ocorrência da doença em baixa, média e alta. Dos 184 municípios cearenses, 52,8% foram enquadrados em áreas de baixo, 26,4% médio 20,8% e alto risco, evidenciando expressiva variabilidade espacial e reforçando a necessidade de adoção de estratégias diferenciadas de monitoramento e prevenção conforme o nível de risco identificado. Na segunda abordagem, foi realizado o monitoramento mensal da Sigatoka-amarela no período de abril de 2023 a dezembro de 2025, no Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi. Observou-se que a curva de progresso da Sigatoka-amarela para a cultivar ‘Grand Naine’ inicia-se em janeiro e encerra em dezembro, com maiores índices de infecção entre os meses de maio e julho. Os padrões das curvas de severidade para ambos os períodos de ascensão ajustaram-se ao modelo exponencial, com taxa de progressão de dy/dt = 0,2. Na terceira abordagem, validou-se uma escala diagramática de cinco níveis de severidade (0–4) para avaliação da Sigatoka-amarela e em seguida a mesma escala foi utilizada na avaliação do efeito de bioinsumos comerciais (Acadian®, Bio-Imune® e Agro-Mos®) e do ativador de resistência Bion® 500 WG no manejo inicial da Sigatoka-amarela em mudas da variedade ‘Grand Naine’. Entre os produtos testados, o bioestimulante Acadian® destacou-se na redução da severidade da doença, evidenciando seu potencial como ferramenta complementar no manejo integrado da Sigatoka-amarela.