Resposta enzimática de Canavalia ensiformis à Macrophomina pseudophaseolina e sua utilização como adubo verde no manejo da podridão de raízes e declínio das ramas em meloeiro e reação de culturas não-cucurbitáceas à Macrophomina spp
patógenos radiculares; fitossanidade; fungos habitantes do solo, Monosporascus spp.
O Nordeste brasileiro é o principal produtor de melão e melancia, respondendo por mais de 98% e 37% da produção dessas cucurbitáceas, respectivamente. O uso contínuo do monocultivo nos principais agropolos desta região vem aumentando a incidência da Podridão de Raízes e Declínio das Ramas (PRDR), principal doença dessas culturas. Patógenos como Macrophomina spp. e Monosporascus spp., isoladamente ou em associação, são os principais causadores dessa doença. Não há registro de defensivos químicos para o controle dessas espécies em cucurbitáceas no país, o que requer integração das demais técnicas de manejo cultural, visando a manutenção da produtividade nas áreas infestadas. O uso do feijão-de-porco (resistente a Macrophomina) como adubo verde, pode reduzir a sobrevivência desse e de outros patógenos habitantes do solo, devido a presença de compostos antifúngicos em seus tecidos, assim como o cultivo de culturas mais resistentes a Macrophomina spp., pode reduzir a sobrevivência desses patógenos no solo, e, consequentemente, reduzir a incidência da PRDR em cucurbitáceas. O objetivo dos nossos estudos foi avaliar a expressão de enzimas associadas aos mecanismos de defesa vegetal (Quitinase (QT), β-1,3-Glucanase (BG) e Fenilalanina-amônia Liase (FAL) em (Canavalia ensiformis [L.] DC.) (feijão-de-porco) inoculado com M. pseudophaseolina, a eficácia do uso dessa leguminosa como adubo verde na incidência e severidade da doença, e seu efeito nos patógenos associados a PRDR presentes no solo de cultivo, bem como avaliar a resposta das culturas do milho, gergelim, tomate e feijão-caupi à Macrophomina spp. A expressão enzimática foi quantificada por métodos colorimétricos padronizados. A eficiência de C. ensiformis no manejo da PRDR foi avaliada através de nove combinações de ciclos de alternância entre feijão-de-porco (FE) e melão (ME), cultivados em solo naturalmente infestado. A reação das culturas do gergelim, tomate, feijão-caupi e milho à Macrophomina foi feita através da inoculação de dois isolados das espécies: M. phaseolina (A5P4 e A11P2), M. pseudophaseolina (A15P16 e A13LP2) e M. euphorbiicola (CFC-1752 e CMM2158) em plantas de cada cultura, pelo método do palito de dente infestado. Foi verificado aumento da expressão da QT, BG e FAL de plantas inoculadas em relação as não inoculadas, com maior expressividade nas raízes em relação às folhas. C. ensiformis não reduziu a incidência e severidade da doença, mas promoveu a redução da frequência de isolamento de Macrophomina em todos os tratamentos onde foi incorporado (0-4%) em relação ao tratamento ME-ME-ME (16%), retardou a penetração de Monosporascus spp. nas raízes de meloeiro, embora promoveu a multiplicação de Fusarium spp. A cultura do gergelim foi a mais resistente em relação as diferentes espécies de Macrophomina, com médias para a severidade entre 0 e 1,2. Nossas descobertas apontam para a viabilidade do uso de C. ensiformis em áreas infestadas com Macrophomina em função de sua resistência, bem como do seu uso como adubo verde na redução da população desse patógeno em solos infestados, embora sua eficácia no manejo de patossistema radiculares múltiplos possa ser limitada, em função da resposta diferencial dos demais habitantes do solo. O gergelim é a cultura agrícola com menor capacidade/probabilidade de multiplicação de Macrophomina spp. e de sobrevivência entre as avaliadas, para cultivo em solos infestados com esse tipo de patógeno.