EFICIÊNCIA AGROBIOECONÔMICA, QUALIDADE PÓS-COLHEITA E AJUSTES MORFOFISIOLÓGICOS DO CONSÓRCIO DE HORTALIÇAS SOB DENSIDADES E QUANTIDADES DE ADUBOS VERDES
jitirana; flor-de-seda; hortaliças; manejo pré-colheita; estado hídrico foliar
Em regiões semiáridas onde os recursos hídricos e a fertilidade do solo são limitados, os sistemas consorciados de hortaliças surgem como uma estratégia eficiente para aumentar a estabilidade produtiva e a resiliência agrícola. Nesse contexto, esta pesquisa teve por objetivo avaliar a eficiência agrobiomonetária, a qualidade pós-colheita e os ajustes morfofisiológicos do consórcio de beterraba e coentro com alface em sucessão, considerando quantidades dos adubos verdes e densidades populacionais das culturas folhosas. Foram conduzidos dois experimentos de campo em delineamento em blocos casualizados, em esquema fatorial 4×4, com quatro repetições, sendo quatro níveis de biomassa de Merremia aegyptia e Calotropis procera (25, 45, 65 e 85 t ha-1) e quatro densidades populacionais das folhosas (40, 60, 80 e 100% da densidade recomendada em monocultivo – DRM). Foram avaliadas características agronômicas da beterraba (altura de plantas, número de folhas, massa seca aérea e de raízes, produtividade total e comercial classificada), do coentro (altura, número de hastes, massa seca e rendimento de massa verde) e da alface (altura, número de folhas, diâmetro, massa seca e produtividade de folhas). O desempenho do consórcio foi avaliado por escore de variável canônica (Z), índice de produtividade do sistema (IPS) e razão de equivalência monetária (REM), além de índices agrobioeconômicos: relação equivalente de terra, razão de área equivalente no tempo, vantagem monetária corrigida, índice de eficiência produtiva, índices de superação, ganho ou perda de rendimento, renda bruta, líquida, taxa de retorno e índice de lucratividade. E os atributos de qualidade físico-química e parâmetros de cor: pH, sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), relação SS/AT, açúcares solúveis totais, betacianina (beterraba) e coordenadas de cor L*, a* e b*. Os parâmetros morfofisiológicos analisados foram: conteúdo relativo de água (CRA), umidade foliar (UF), suculência foliar (SUC), massa foliar por unidade de área (MFA) e teor de clorofila a, b e total. Os resultados demonstraram que a maior quantidade dos adubos verdes (85 t ha-1) combinada com as densidades de 63,28%, 100% e 100% da DRM mitigou a competição entre as culturas, promovendo produtividade máxima de 38,12 t ha-1 de raízes comerciais de beterraba, 2,26 t ha-1 de massa verde de coentro e 11,51 t ha-1 de folhas de alface. A combinação de 85 t ha-1 e 100% da DRM, gerou os melhores índices agromonetários, com Z = 12,72, IPS = 65,16 e REM = 1,74, evidenciando a superioridade do consórcio frente ao monocultivo. A beterraba se destacou como cultura dominante, mas o aumento das quantidades dos adubos verdes e das densidades populacionais favoreceu a competitividade do coentro e da alface. O consórcio apresentou vantagem agrobiológica de 10,00, traduzida em elevado retorno econômico, alcançando R$ 168.600,97 ha-1 de renda líquida e 80,18% de lucratividade. No que se refere à qualidade pós-colheita, os efeitos do manejo pré-colheita foram específicos para cada espécie: na beterraba, 44,79 t ha-1 dos adubos verdes com 62,82% da DRM elevou a relação SS/AT, enquanto maiores quantidades com 100% da DRM intensificaram a coloração vermelho-roxa. No coentro, 69,30 t ha-1 dos adubos verdes com 40% da DRM maximizou a relação SS/AT e a coloração das folhas para o verde escuro; na alface, 63 t ha-1 dos adubos com 40% da DRM resultou na maior relação SS/AT e preservaram a coloração da olerícolas. A combinação de 85 t ha-1 dos adubos verdes com 100% da DRM das folhosas, favoreceu o estado hídrico da beterraba (CRA = 74,51%; UF = 94,46% e SUC de 2448,57 g m²), coentro (CRA = 85,22%; UF = 92,21% e SUC de 987,13 g m²) e alface (CRA = 98,24%; UF = 97,28 e SUC de 2019,65 g m²). Essa combinação resultou em menores valores da MFA para todas as culturas e maior concentração de clorofilas para o coentro e alface. Para a beterraba a quantidade entre 61,00 e 68,00 t ha-1 dos adubos verdes com 100% da DRM elevou os teores dos pigmentos. A aplicação estratégica M. aegyptia e C. procera, aliada ao manejo adequado da densidade populacional, reduz a competição interespecífica, eleva a eficiência agrobioeconômica e, preserva a qualidade pós-colheita e a estabilidade morfofisiológica do consórcio de beterraba, coentro e alface em sucessão, configurando como um modelo sustentável, diversificado e adaptado às condições do semiárido