Banca de DEFESA: MARIA CAROLINA RAMIREZ HERNANDEZ

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA CAROLINA RAMIREZ HERNANDEZ
DATA : 27/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do prédio da pós em Fitotecnia
TÍTULO:

INTERAÇÕES BIOLÓGICAS NA REMEDIAÇÃO DA POLUIÇÃO HÍDRICA POR HERBICIDAS: O PAPEL DE PLANTAS AQUÁTICAS E MICRORGANISMOS


PALAVRAS-CHAVES:

Descontaminação; Dinâmica ambiental, Biodegradação, Rizofiltração


PÁGINAS: 214
RESUMO:

A poluição hídrica por compostos químicos persistentes representa um dos principais desafios ambientais associados à intensificação das atividades agrícolas, exigindo abordagens que integrem processos físicos, químicos e biológicos para sua mitigação. Entre as estratégias naturais de atenuação, as interações biológicas envolvendo plantas aquáticas e microrganismos têm se destacado como componentes centrais na modulação da dinâmica de contaminantes em sistemas aquáticos e hidrologicamente conectados. Esta tese teve como objetivo investigar o papel das interações biológicas na remediação da poluição hídrica por herbicidas, utilizando o diuron como contaminante modelo. O trabalho foi estruturado em quatro artigos complementares. Inicialmente, foi realizada uma análise bibliométrica da produção científica global (2015–2025), com base em 500 registros indexados, empregando análises de desempenho, redes de colaboração e estrutura temática, o que evidenciou a predominância de abordagens setoriais e a escassez de estudos integrando plantas aquáticas, microrganismos e diferentes compartimentos ambientais. Os experimentos foram conduzidos em microcosmos controlados, envolvendo sistemas aquáticos, água–sedimento e sistemas terrestres, com aplicação de diuron em diferentes concentrações ambientalmente relevantes. Nos ensaios com plantas aquáticas (Pistia stratiotes e Eichhornia crassipes), observou-se redução significativa da concentração do herbicida na fase aquosa ao longo do tempo, com diminuições superiores a 50% em comparação aos sistemas controle sem plantas, acompanhadas de aumento da retenção no sedimento e na biomassa vegetal. Esses resultados indicaram que as plantas aquáticas alteram a distribuição do contaminante entre os compartimentos, reduzindo sua biodisponibilidade e mobilidade no sistema. A avaliação integrada planta–água–sedimento demonstrou que a presença das macrófitas influenciou a persistência do diuron no sedimento, promovendo redução de até 40% nos teores residuais ao final do período experimental, quando comparada aos microcosmos sem plantas. Esses efeitos evidenciaram o papel das plantas aquáticas como moduladoras dos fluxos ambientais do herbicida, interferindo diretamente em sua trajetória ambiental. No quarto artigo, microrganismos isolados de ambientes contaminados foram selecionados com base em testes de tolerância e capacidade de degradação do diuron. Os isolados bacterianos apresentaram taxas de degradação superiores a 60% em ensaios in vitro e mantiveram desempenho consistente em sistemas aquáticos, terrestres e integrados água–sedimento, resultando em redução expressiva da persistência do herbicida e menor acúmulo em compartimentos sólidos. De forma integrada, os resultados demonstram que a remediação da poluição hídrica por herbicidas emerge da interação entre plantas aquáticas, microrganismos e características físico-químicas do ambiente, sendo mais eficiente do que a atuação isolada de cada componente biológico.

RESUMO Artigo 2: A avaliação do destino ambiental de herbicidas em sistemas aquáticos tem se centrado nas concentrações observadas na água, embora grande parte da massa aplicada seja redistribuída para compartimentos sólidos e biologicamente ativos do meio. Neste estudo, foi avaliado o destino do diuron em microcosmos aquáticos por meio de uma abordagem integrada de balanço de massa, considerando sua distribuição entre água, sedimento e biomassa vegetal, a formação de metabólitos e as respostas fisiológicas de macrófitas aquáticas. Os experimentos foram conduzidos por 45 dias em sistemas sem plantas (controle) e em sistemas vegetados com Pistia stratiotes e Eichhornia crassipes, expostos a concentrações de 2,5; 10 e 25 µg L⁻¹ de diuron. O balanço de massa evidenciou rápida transferência do diuron da água para o sedimento em todos os sistemas, confirmando a elevada afinidade do herbicida por compartimentos sólidos. No controle, a maior parte da massa do diuron permaneceu retida no sedimento ao longo do experimento. Em contraste, a presença das macrófitas alterou essa dinâmica, reduzindo a retenção no sedimento e promovendo redistribuição do herbicida para a biomassa vegetal. A formação do metabólito DCPMU foi detectada no sedimento e no tecido vegetal, indicando que o diuron sorvido permanece sujeito a transformações ao longo do tempo. As espécies apresentaram respostas fisiológicas contrastantes: Pistia stratiotes mostrou maior sensibilidade à exposição prolongada ao diuron, reduções nos pigmentos fotossintéticos e intensificação do estresse oxidativo em concentrações elevadas; Eichhornia crassipes apresentou maior plasticidade fisiológica, mantendo a homeostase redox, embora com redução da biomassa em doses mais altas. Em conjunto, os resultados demonstram que a fitorremediação do diuron envolve redistribuição e transformação do herbicida, reforçando a importância de abordagens baseadas em balanço de massa para uma avaliação mais consistente do destino ambiental e do risco associado a herbicidas persistentes em sistemas aquáticos.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2213033 - DANIEL VALADAO SILVA
Interna - 1544411 - MARCIA MICHELLE DE QUEIROZ AMBROSIO
Externa à Instituição - JULIANA HELOISA PINÊ AMÉRICO PINHEIRO - UNESP
Externo à Instituição - DANIEL SCHWANTES
Externo à Instituição - CLAUDINEI DA CRUZ
Externo à Instituição - JOSÉ BARBOSA DOS SANTOS - UFVJM
Notícia cadastrada em: 19/02/2026 09:53
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