ASPECTOS MORFOFISIOLÓGICOS E BIOQUÍMICOS NA ADAPTAÇÃO DE Amaranthus hybridus A ESTRESSES ABIÓTICOS
Ecofisiologia de plantas daninhas; Plasticidade fenotípica; Metabolismo antioxidante; Estresse abiótico; Fotossíntese.
O cenário atual de mudanças climáticas e variabilidade ambiental impõe desafios crescentes à agricultura e favorece a proliferação de plantas daninhas com alta capacidade adaptativa como Amaranthus hybridus L. A compreensão dos mecanismos fisiológicos que sustentam o sucesso ecológico desta espécie C4 sob condições adversas é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de manejo. O objetivo central desta tese foi investigar a plasticidade morfofisiológica e as respostas bioquímicas de A. hybridus submetida a fatores abióticos compreendendo estresse térmico, déficit hídrico, salinidade e disponibilidade luminosa. Diante disso, foram conduzidos quatro experimentos independentes em casa de vegetação para avaliar gradientes de temperatura, regimes hídricos, níveis de salinidade e intensidades de sombreamento. As análises incluíram a quantificação de variáveis de crescimento, trocas gasosas, fluorescência da clorofila a, integridade de membranas e aspectos bioquímicos como enzimas antioxidantes, metabólitos compatíveis e proteínas de choque térmico. As condições severas de estresse térmico, hídrico e salino promoveram restrições metabólicas significativas, caracterizadas pela redução da assimilação líquida de CO₂, fechamento estomático e diminuição do acúmulo de biomassa. Sob alta temperatura, a espécie revelou elevada resiliência mediada pela síntese de HSP70 e enzimas antioxidantes, o que permitiu a pronta recuperação das funções fisiológicas após o alívio do estresse. No déficit hídrico, a tolerância foi modulada pelo ajuste osmótico via acúmulo de prolina e pela proteção antioxidante, ainda que a seca severa tenha comprometido a integridade celular. O estresse salino impôs limitações oxidativas e metabólicas que foram mitigadas pela regulação do sistema antioxidante. A variação na disponibilidade luminosa evidenciou a notável plasticidade morfofisiológica da espécie, a qual ajustou a arquitetura do dossel e o aparato de pigmentos para otimizar a captação de luz. A. hybridus possui um complexo conjunto de estratégias adaptativas, que variam desde ajustes estruturais e pigmentares sob diferentes luminosidades até a ativação robusta de sistemas de defesa bioquímica e reparo proteico sob estresses limitantes, justificando sua alta competitividade e persistência em ambientes agrícolas.