Estudo da Variabilidade Genética e Uso de Extratos de Spondias contra Macrophomina spp.
Diversidade genética; marcadores moleculares; extratos foliares; controle biológico.
O gênero Spondias desempenha um papel importante para a sustentabilidade socioeconômica e ambiental do semiárido brasileiro, porém ainda é uma cultura pouco explorada. Nesse sentido a manutenção e a exploração de Bancos Ativos de Germoplasma (BAGs) torna-se importante, pois viabiliza a identificação e armazenamento de genótipos que possuem características agronômicas superiores. Extratos foliares de plantas do gênero Spondias tem sido alternativamente utilizadas para controle biológico de fungos e bactérias, por possuir em sua composição metabólitos secundários como flavonóides e taninos. Diante disso, este trabalho teve como objetivo caracterizar a variabilidade genética de acessos de umbu-cajazeira (Spondias sp.) e seriguela (Spondias purpurea) utilizando marcadores moleculares ISSR (Inter Simple Sequence Repeat) e avaliar o potencial biotecnológico de seus extratos foliares como alternativa ao controle químico de fitopatógenos do gênero Macrophomina. Foram realizadas análises moleculares de 78 acessos do gênero Spondias utilizando 16 marcadores ISSR para determinar sua variabilidade genética, seguida por ensaios fitopatológicos in vitro e in vivo para avaliar a eficácia dos extratos folires contra Macrophomina spp. em meloeiro. Com o uso de marcadores ISSR, foi possível identificar polimorfismo medianamente informativo, com a formação de seis grupos, onde todos os acessos de seriguela ficaram concentrados no grupo II, e os acessos de umbu-cajazeira nos grupos I, III, IV, V e VI, indicando uma variabilidade genética significativa intra e interespecífica. Ao se tratar dos ensaios fitopatológicos os extratos de seriguela resultaram em uma capacidade elevada da inibição do crescimento micelial do patógeno e reduzindo também a incidência da podridão-de-carvão, chegando a atingir 100% de sua eficácia na dose de 15%. Conclui-se que o uso de marcadores moleculares é uma estratégia eficaz para a discriminar acessos de bancos de germoplasma e os extratos foliares representam uma alternativa viável para controle de fitopatógenos, aliando a preservação de recursos genéticos à inovação tecnológica no manejo de doenças de plantas.