EFEITOS DA CONTAMINAÇÃO POR MALATHION DURANTE O DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO DE TARTARUGA-DA-AMAZÔNIA (Podocnemis expansa).
Ecotoxicologia, embrião, quelônios amazônicos, pesticida.
Os sistemas de água doce da Amazônia vêm sendo impactados por contaminantes químicos, incluindo pesticidas organofosforados. Quelônios como Podocnemis expansa podem atuar como bioindicadores, mas dados sobre exposição embrionária, os efeitos da exposição embrionária a esses pesticidas no equilíbrio redox e nos perfis de metais e metaloides são limitados. O presente estudo objetivou avaliar o impacto do malathion na expressão de biomarcadores de estresse oxidativo e nos níveis de metais e metaloides durante o desenvolvimento embrionário da tartaruga-da-Amazônia. Ovos foram incubados artificialmente sob condições controladas e distribuídos em um grupo controle e três tratamentos nominais com malathion (T1: 0,53 µg L⁻¹; T2: 5,3 µg L⁻¹; T3: 53 µg L⁻¹) durante todo o período de incubação. Embriões foram amostrados aos 40 e 50 dias de desenvolvimento, e os filhotes foram avaliados após a eclosão (controle vs. tratamento mais alto devido às limitações de amostra). Foram determinados os níveis hepáticos de glutationa reduzida (GSH), capacidade antioxidante total (CAOT; ensaio TEAC) e carbonilação proteica, e quantificadas as concentrações totais de metais e metaloides por ICP-MS em tecidos selecionados. Devido ao tamanho limitado das amostras, os resultados foram avaliados descritivamente (medianas e intervalos interquartis). Ao longo dos estágios de desenvolvimento, os biomarcadores redox hepáticos apresentaram padrões dependentes do estágio e da exposição. Os valores de GSH apresentaram maior dispersão em embriões tratados aos 40 dias e uma tendência de aumento com o desenvolvimento, com maiores medianas em embriões de 50 dias e filhotes expostos ao tratamento T3, assim como na carbonilação proteica. A CAOT foi menor em embriões de 50 dias do grupo T3, enquanto filhotes do mesmo grupo apresentaram valores mais elevados. A distribuição de metais e metaloides foi específica por tecido e frequentemente exibiu medianas e/ou dispersão elevadas no tratamento intermediário aos 50 dias (50dT2) em múltiplos tecidos, enquanto filhotes do grupo T3 apresentaram maior acúmulo nominal de elementos essenciais selecionados (Cu/Se/Zn) em tecidos metabolicamente ativos e em mineralização. Embora seja um estudo descritivo, com tamanho amostral limitado, não permitindo inferências conclusivas sobre toxicidade, os achados sugerem respostas fisiológicas associadas à exposição ao malathion durante fases iniciais do desenvolvimento, reforçando a necessidade de estudos futuros com delineamentos experimentais mais robustos e confirmação analítica da exposição.