Respostas adaptativas ambientais de abelhas africanizadas eeuropeias em região semiárida
Apis mellifera, Clima tropical seco, estresse térmico, Hibridização, Morfometria geométrica.
A abelha africanizada é um poli-híbrido com cerca de 85% de seu genoma deascendência africana (Apis mellifera scutellata). Esta herdou traços consideradosnegativos pelos apicultores como maior capacidade enxameatória e maiordefensividade. A fim de reduzir essa defensividade, apicultores do Nordeste estãointroduzindo rainhas europeias no semiárido. A apicultura brasileira com abelhasafricanizadas encontra-se em pleno crescimento, sendo, portanto, a reintrodução desubespécies europeias, uma ameaça a apicultura nacional e principalmente do Nordeste,pois essa subespécie pode não se adaptar ao clima semiárido. Diante desses fatos, opresente estudo teve como objetivo geral avaliar comparativamente a respostacomportamental e fisiológica de abelhas europeias e africanizadas. Para tanto, a tese foidividida em 5 capítulos: o primeiro traz considerações gerais; o segundo é um artigo depesquisa proposto para avaliar a aplicabilidade da morfometria geométrica e suaeficácia na identificação da variação morfológica em abelhas africanizadas noContinente Americano, fornecendo uma base científica para seu uso como alternativaviável e acessível às análises genômicas. Os capítulos 3 e 4 correspondem a artigosexperimentais, que buscaram responder a pergunta central dessa pesquisa: é viávelintroduzir abelhas europeias no semiárido?. Buscou-se identificar o grau deafricanização em descendentes europeus e africanizados, além de identificar estratégiasadaptativas usadas por estas abelhas para mitigar o estresse térmico causado pelo climatropical seco. O último capítulo trata sobre as considerações finais da tese. A presentetese avança na compreensão da identificação, caracterização e adaptação de populaçõesde Apis mellifera em contextos de hibridização e ambientes com fortes estressores,demonstrando a relevância de integrar abordagens morfológicas e fisiológicas parainterpretação do comportamento populacional no ambiente tropical seco. Populaçõeshíbridas apresentam alterações morfométricas marcantes, especialmente no tamanho.Diferenças fisiológicas claras foram observadas entre abelhas africanizadas e Buckfastfrente ao estresse térmico contínuo. A identificação de estratégias distintas, comBuckfast recorrendo mais intensamente à termólise evaporativa e apresentando menorestabilidade térmica, enquanto africanizadas mantêm homeostase principalmente viaventilação, evidencia que a plasticidade fisiológica desempenha papel central nasobrevivência dessas populações em regiões tropicais secas. Esses achados ampliam a compreensão sobre como diferentes grupos genéticos modulam seu comportamento efisiologia para lidar com ambientes extremos.